Jornal da Band

Rio Acre transborda e afeta 20 mil pessoas em Rio Branco

Nível do rio ultrapassa 14 metros pela segunda vez em nove meses; governo decreta estado de emergência por 180 dias na capital e interior

ECIMÁIRO CARVALHO

30/12/2025 • 22:00 • Atualizado em 30/12/2025 • 22:00

O Governo do Estado do Acre decretou estado de emergência por 180 dias em Rio Branco e outras quatro cidades devido à cheia dos rios que atinge a região norte. Somente na capital, o transbordamento do Rio Acre já afeta cerca de 20 mil pessoas. O cenário é crítico: mais de 500 moradores precisaram abandonar suas residências e foram encaminhados para abrigos públicos montados pelas autoridades.

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A rapidez da inundação surpreendeu os moradores, como Helena Ferreira, que precisou buscar refúgio com seus três netos. De acordo com relatos da população, o nível da água sobe rapidamente, dificultando a retirada de pertences.

No bairro da Base, localizado a poucos minutos do centro de Rio Branco, o rio tomou as vias públicas, forçando os residentes a caminharem em áreas com cerca de 40 centímetros de profundidade para se locomoverem.

Fenômeno histórico e riscos à população

A atual cheia em dezembro é considerada atípica pela Defesa Civil. Segundo o coordenador do órgão, Cláudio Falcão, um volume de águas dessa magnitude neste mês só havia sido registrado há 50 anos. A preocupação das autoridades aumenta para os meses de fevereiro e março, período em que historicamente ocorrem os maiores volumes de chuva na região.

Esta é a segunda vez em apenas nove meses que o Rio Acre ultrapassa a marca de 14 metros. Além dos danos materiais, os moradores enfrentam riscos biológicos e de acidentes; estudantes da região relatam o medo de ataques de animais aquáticos, como arraias, que surgem com as inundações. Para quem não possui barcos, a locomoção torna-se impossível, deixando famílias ilhadas em diversas áreas da capital.

Previsão do tempo e monitoramento

Nas últimas horas, o nível do Rio Acre apresentou uma leve retração, baixando quase 10 centímetros. No entanto, o estado de alerta permanece máximo, uma vez que as previsões meteorológicas indicam o retorno de chuvas fortes na capital a partir do dia 1º de janeiro.

As equipes da Defesa Civil e do governo estadual seguem monitorando as áreas de risco e prestando assistência aos desabrigados. O decreto de emergência visa agilizar a liberação de recursos e ações de socorro para as cinco cidades mais atingidas pelo fenômeno.

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