Jornal da Band

São Paulo registra o março mais letal no trânsito em dez anos

Capital paulista contabilizou 95 óbitos no mês passado; especialistas apontam falta de fiscalização e aumento da frota como causas da "carnificina" nas ruas

JULIANO DIP

24/04/2026 • 20:01 • Atualizado em 24/04/2026 • 20:01

A cidade de São Paulo enfrenta um cenário crítico na segurança viária, registrando o mês de março mais letal dos últimos 10 anos. De acordo com dados da série histórica do Detran, iniciada em 2015, foram contabilizadas 95 mortes no trânsito da capital paulista apenas no mês passado.

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O índice revela uma estatística alarmante: uma pessoa perdeu a vida a cada sete horas e cinquenta minutos em decorrência de acidentes na metrópole.

Especialistas em mobilidade urbana indicam que a alta na mortalidade não decorre apenas de falhas individuais, mas de um ambiente que favorece o comportamento de risco. Elementos como a redução no número de fiscais de trânsito, a diminuição de radares e o aumento nos limites de velocidade em certas vias são apontados como facilitadores da imprudência. Segundo a análise de Sergio Avelleda, o cenário atual reflete um "estímulo à imprudência" em vez de ser uma responsabilidade exclusiva dos condutores.

Motociclistas e pedestres são as principais vítimas

O perfil das vítimas fatais em março destaca a vulnerabilidade de quem utiliza motocicletas e de quem circula a pé pela cidade. Os motociclistas representaram 39% dos óbitos registrados no período. Entre os sobreviventes de acidentes está o entregador Josiel Jesus, que sofreu graves lesões após ser fechado por um veículo em um cruzamento. Ele relata ter aguardado cerca de uma hora por socorro e, após o diagnóstico de joelho trincado e deslocado, precisou se afastar do trabalho por dois meses para recuperação.

Além dos motociclistas, os pedestres figuram no topo das estatísticas de letalidade, respondendo por 33% das mortes no trânsito paulistano em março. A gravidade dos incidentes é potencializada por mudanças estruturais na frota circulante e no comportamento do mercado de entregas.

Sergio Avelleda ressalta fatores determinantes para o que classifica como uma "carnificina" nas ruas de São Paulo:

  • O crescimento da frota urbana, composta por veículos cada vez maiores, o que torna os impactos das colisões mais fatais.
  • O aumento expressivo no uso de motocicletas na capital.
  • A combinação desses elementos com a fragilidade na fiscalização pública.