Jornal da Band

Selic alta dificulta crédito e freia expansão de empresas no Brasil

Juros elevados inibem investimentos, reduzem vendas e forçam empreendedores a adiar contratações e projetos de expansão, segundo empresários

Da redação
DA REDAÇÃO

17/11/2025 • 20:15 • Atualizado em 17/11/2025 • 20:15

O ciclo de alta da taxa Selic, que saiu de 10,5% e chegou aos atuais 15% em setembro de 2024, pressiona o custo do crédito e impacta diretamente a capacidade de investimento de empresários brasileiros. Os juros mais altos tornam empréstimos e financiamentos mais caros, gerando receio de endividamento e desestimulando a compra e a expansão de negócios.

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O impacto da alta da Selic é sentido na prática por companhias de diferentes portes. Gilberto Poleto, CEO da Bralyx Brasil, empresa de máquinas para fazer doces e salgados na zona sul de São Paulo, afirma que a cada aumento de 1% nos juros, a empresa sente o efeito nas vendas. Poleto estima que o volume de vendas poderia ser 30% a 40% maior caso os juros fossem mais baixos.

As micro, pequenas e grandes empresas que buscam os equipamentos da Bralyx enfrentam dificuldades para adquirir novos maquinários, dado o custo elevado das linhas de crédito disponíveis. O cenário econômico com juros altos desestimula o investimento, uma vez que o custo para captar novos recursos, seja para modernizar ou expandir, fica "praticamente impossível", na avaliação da economista Helena Veronese.

Em Itapevi, na Grande São Paulo, a fábrica de máquinas de perfuração de solo da família do empresário Rafael Bois registrou uma queda de 20% nas vendas nos últimos 12 meses devido aos juros altos. A empresa, que tem 25 funcionários e planejava contratar mais, precisou adiar a expansão das instalações, apesar de já ter comprado um terreno.

As máquinas, que chegam a ter 24 metros de altura, estão atualmente do lado de fora do galpão, interrompendo a produção, o que demonstra a urgência por um espaço maior. A preocupação do empresário se concentra em manter o faturamento para bancar a estrutura total, considerando as famílias que dependem da empresa.

Juros no Brasil e a comparação internacional

No mercado interno, os custos de financiamento para o pequeno empreendedor são significativamente altos. Uma máquina que fabrica 5 mil coxinhas por hora, por exemplo, custa R$ 18 mil à vista. Se comprada no cartão de crédito em 20 parcelas, o valor sobe para mais de R$ 22 mil.

Gilberto Poleto, da Bralyx Brasil, compara a situação com a do mercado norte-americano, onde a empresa também comercializa suas máquinas. Nos Estados Unidos, o preço do equipamento é similar, mas os juros anuais são de, no máximo, 10%, enquanto no Brasil a taxa chega a 24%.

De acordo com o correspondente Eduardo Barão, a realidade nos Estados Unidos é de juros em crédito "relativamente acessíveis" em comparação a outros países, o que ajuda a manter o consumo e o ritmo da economia.

  • Financiamento de automóveis: As taxas médias anuais giram em torno de 7%.
  • Empréstimos pessoais: As taxas ficam na faixa de 10% a 12% ao ano.
  • Cartão de crédito: Embora seja a modalidade mais cara, cobra algo acima de 20% anuais, um valor ainda muito abaixo da realidade brasileira.
  • Mercado imobiliário: Os financiamentos estão em torno de 6% a 7% ao ano.

A consultora financeira Monica Franchi Souza explica que o sistema de financiamento bancário americano considera o histórico e a capacidade de pagamento do solicitante. Conforme o consumidor paga suas dívidas em dia, o sistema reconhece que ele é um bom pagador.