
George Santos é expulso do Congresso americano
Reuters
O americano-brasileiro George Santos foi “do anonimato à infâmia”, como publicou hoje o jornal New York Times. Ex-deputado pelo Partido Republicano, ele foi condenado a 87 meses de prisão por mentiras, fraude e falsidade ideológica em sua campanha eleitoral.
A juíza federal Juanna Seybert disse a Santos, ao ler a sentença: “Você foi eleito com suas palavras, a maioria das quais eram mentiras”. Ele permaneceu calado. Fora do tribunal, não respondeu às perguntas gritadas por repórteres.
George Anthony Devolder Santos, 36, filho de pais brasileiros, foi o primeiro deputado abertamente gay no Partido Republicano de Donald Trump, a quem apoiou com fervor, mas que não lhe concedeu a anistia que esperava, como a muitos outros republicanos com problemas na justiça.
Santos se apresentava como descendente de refugiados do holocausto para conquistar os votos da comunidade judaica de Nova York. Ele contava que os avós maternos eram judeus ucranianos que fugiram do nazismo para a Bélgica, e depois para o Brasil. Mas registros genealógicos comprovaram que seus ancestrais, por três gerações, eram brasileiros.
“As crenças de origem judaica da minha mãe... são minhas”, ele declarou a um jornal comunitário, Jewish Insider. Quando contestado, respondeu: “Nunca afirmei ser judeu... sou católico”. Depois, brincou, afirmando que tinha dito, na verdade, que era “Jew-ish”, que pode ser traduzido como “mais ou menos judeu”.
A mãe de Santos, Fatima Aziza Caruso Horta Devolder, trabalhou como doméstica ou enfermeira. Ele a promoveu a executiva que cuidava de negócios, muito bem-sucedida. Depois a colocou no World Trade Center durante o ataque terrorista do dia 11 de setembro, e ela não esteve lá. Ele mesmo se orgulhava de ter uma grande experiência em empresas famosas de Wall Street, e que era “um financiador”. Um padre católico o desmentiu, lembrando que ao morrer a mãe, ele não tinha dinheiro para pagar o funeral, e uma arrecadação teve que ser feita durante a missa fúnebre.
Em 2008, com 19 anos, visitando o Brasil, Santos roubou um talão de cheques, e preencheu vários deles para fazer compras. O New York Times publicou que o caso continua sem solução, mas ele negou: “Não sou um criminoso aqui (no Brasil), nem nos EUA”.
Outra acusação contra Santos, apurada pelo Comitê de Ética da Câmara: ele usou fundos de campanha em botox, moda de grife e cosméticos. Também arrecadou dinheiro para a cirurgia de um cachorro, mas não entregou o obteve.
O ex-deputado Santos foi expulso do Capitólio, em Washington, em 2023, por mais de cem deputados republicanos que se juntaram à oposição democrata. Foi um impeachment sem precedentes, porque ele ainda não estava condenado pelos crimes que lhe atribuíam.
Além dos 87 meses de prisão, Santos foi condenado a pagar uma restituição de 373 mil dólares, ou cerca de 2 milhões de reais. Em 2024, ele se declarou culpado de roubo de identidade e fraude eletrônica. Ao New York Times, declarou que não pediria para ser perdoado porque precisava assumir “responsabilidade”. E na plataforma X, postou:
“Aprendi que, não importa se somos de esquerda, direita ou centro, somos todos humanos e, na maioria das vezes, americanos (rsrs), e temos um superpoder que valorizo muito: a compaixão. Para os haters… bem, vocês são uma parte impactante de como as pessoas moldam a si mesmas, e vocês me deixaram muito mais forte e com a pele mais grossa”.
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