
Setores atingidos pelo tarifaço mostram otimismo após reunião entre Lula e Trump
Divulgação/Porto de Santos/Agência Brasil
Setores brasileiros que foram atingidos pela cobrança de impostos americanos, o chamado "tarifaço", estão otimistas após o encontro dos presidentes Lula e Donald Trump. O movimento político abre caminho para o início de negociações econômicas entre os dois países.
O governo brasileiro demonstrou interesse em negociar a pauta de minerais raros, energia renovável e a instalação de data centers, o que pode atrair investimentos estrangeiros. Por outro lado, os Estados Unidos representam um enorme mercado consumidor para os produtos brasileiros.
Setores que têm sido penalizados com a cobrança de 50% de impostos, como o de máquinas e o de café, agora demonstram otimismo com o andamento das negociações.
O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Café, Pavel Cardoso, expressa confiança na eliminação das tarifas em breve. Cardoso ressalta que o Brasil produz 40% de todo o café consumido no mundo, e os Estados Unidos são os maiores consumidores do produto.
Segundo ele, um terço do café brasileiro é exportado para o mercado americano. "Permanecemos muito confiantes e otimistas, sabendo que o desenrolar dos fatos pode, muito em breve, nas próximas horas, os próximos dias, ter, enfim, as tarifas zeradas", afirma.
Entraves e pautas americanas
As equipes técnicas de Brasil e Estados Unidos devem se reunir em Washington nos próximos dias. A principal demanda do Brasil é a eliminação total das tarifas cobradas pelos americanos.
A preocupação brasileira reside em alguns pontos da agenda americana que podem se transformar em entraves. O governo brasileiro não pretende abrir mão de ter algum tipo de regulação das redes sociais no país. Outro ponto é a questão do sistema de pagamentos PIX. O Brasil não deve abrir mão de manter o PIX da forma como ele existe hoje.
A colocação americana é que o Brasil impõe restrições ou gera um mercado desigual para as empresas de pagamento, como as de cartões de crédito.
O mercado se adapta aos impostos
As negociações ocorrem quase três meses após o início da cobrança americana e encontram um cenário de adaptação da economia brasileira. O "tarifaço" fez com que setores produtivos buscassem outros mercados para seus produtos.
Um exemplo é o setor de carne brasileira. O embarque do produto para a China registrou um aumento de quase 40% em setembro, em comparação com o mesmo mês do ano passado, o que estreita ainda mais a relação comercial entre Brasil e China.
Um professor de economia destaca que, embora o ideal seja que as tarifas fossem eliminadas o quanto antes, o mercado já se adaptou e precificou o novo cenário. As bolsas de valores brasileira (Ibovespa) e americana têm batido recordes, o que sinaliza que não existe uma "pressa" generalizada. Contudo, para o empresário e para o consumidor americano, a eliminação das tarifas é urgente.
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