Jornal da Band

Silvio Almeida nega acusações de assédio sexual em depoimento à PF, mas pode ser indiciado

Ex-ministro dos Direitos Humanos foi exonerado em setembro do ano passado depois de acusações de assédio e importunação sexual

CAIÃ MESSINA

25/02/2025 • 19:41 • Atualizado em 25/02/2025 • 19:41

O ex-ministro dos Direitos Humanos Silvio Almeida foi ouvido, nesta terça-feira (25), pela Polícia Federal sobre as denúncias de assédio sexual. No inquérito sigiloso que corre no Supremo Tribunal Federal, pelo menos quatro mulheres o denunciaram. Entre elas, a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco.

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Anielle contou à PF que foi alvo de “atitudes desrespeitosas” desde a época de transição do governo, no final de 2022. O ex-ministro dos Direitos Humanos foi exonerado em setembro do ano passado depois de acusações de assédio e importunação sexual.

Os investigadores afirmaram que Silvio Almeida negou ter cometido os crimes. Agora, o inquérito que apura as acusações entrou na reta final. A expectativa na Polícia Federal é de que ele seja indiciado por importunação sexual.

As investigações devem terminar nos próximos 15 dias e, em caso de indiciamento, o processo segue para o relator da ação no Supremo, o ministro André Mendonça.

Recentemente, o Silvio Almeida disse que Anielle Franco, ministra da Igualdade Racial, “se perdeu no personagem” ao denunciá-lo por assédio sexual, e classificou as acusações como “espalhamento de fofocas e intrigas”. Esta foi a primeira vez que o ex-ministro falou sobre as acusações depois da demissão.

Em nota publicada nas redes sociais, a ministra reagiu às declarações afirmando que “a tentativa de descredibilizar as vítimas é inaceitável” e que insinuar retaliações descabidas contra quem denuncia é uma estratégia repulsiva que reforça estruturas de silenciamento e impunidade.

Relembre o caso

Na época da denúncia, Anielle Franco também disse aos investigadores que Silvio Almeida chegou a colocar a mão nas pernas dela, por baixo da mesa, durante uma reunião.

O caso veio à tona quando a Ong “Me Too”, especializada em casos de assédio sexual, divulgou, com o consentimento das vítimas, denúncias contra Silvio, que negou as acusações e as classificou como “mentiras sem provas”.

A demissão do ministro foi confirmada pelo presidente Lula no dia 6 de setembro de 2024 em uma nota publicada em que dizia: “diante das graves denúncias contra o ministro Silvio Almeida e depois de convoca-lo para uma conversa no Palácio do Planalto, no início da noite, o presidente Lula decidiu pela demissão do titular da Pasta de Direitos Humanos e Cidadania”.

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