O transbordamento do Rio Paraitinga, causado pelas fortes chuvas que atingiram o interior de São Paulo, deixou moradores ilhados e afetou o comércio em São Luiz do Paraitinga nesta terça-feira (27). A água invadiu parte do Centro Histórico da pequena cidade, que possui pouco mais de dez mil habitantes e fica localizada na região do Vale do Paraíba.
De acordo com o monitoramento da Defesa Civil municipal, o nível do Rio Paraitinga atingiu a marca de 4,50 metros. O índice representa uma elevação de pouco mais de três metros acima do leito normal, o que foi suficiente para bloquear acessos e isolar quem vive ou trabalha às margens do curso d'água.
Impactos no comércio e rotina da população
A cheia repentina alterou a rotina dos moradores logo nas primeiras horas do dia. O repositor João Matheus relatou que o susto foi grande ao notar a rua alagada ao acordar. Segundo ele, o supermercado onde trabalha precisou encerrar as atividades mais cedo, pois o acesso dos clientes e funcionários tornou-se impossível devido ao volume de água.
A situação também isolou residentes em suas próprias casas. É o caso da secretária Ana Gabriela Mattos, que mora em frente ao rio há três anos. Ela conta que a saída principal de sua residência ficou completamente alagada. Embora afirme estar mais acostumada com as cheias constantes, Ana ressalta que a preocupação com a segurança permanece a cada novo episódio.
Até o momento, ao menos sete famílias precisaram deixar suas residências em áreas de risco. Os desabrigados e desalojados foram encaminhados para abrigos públicos municipais ou acolhidos em casas de familiares.
O trauma das enchentes de 2010
O aumento do nível do rio reacende um trauma histórico na população local. São Luiz do Paraitinga ainda guarda as cicatrizes da tragédia de 2010, quando o Rio Paraitinga subiu 12 metros, destruindo grande parte do patrimônio histórico, incluindo a torre da Igreja Matriz.
Para a dona de casa Inês Campos, cada novo alerta de chuva traz de volta as lembranças daquela época. Ela recorda que perdeu todos os bens materiais na enchente de 2010, mas enfatiza que o maior impacto foi emocional ao ver o desabamento do templo religioso, considerado o símbolo da cidade.
Monitoramento e previsão do tempo
A Defesa Civil mantém o estado de alerta e o monitoramento constante das réguas de nível do rio. O diretor do órgão, Luiz Antunes, explica que as equipes estão de prontidão para novas remoções, caso o volume de água continue a subir nas próximas horas.
As condições climáticas para a região seguem instáveis. Segundo a análise técnica da Defesa Civil, a previsão indica a continuidade de chuvas isoladas na cabeceira do rio, o que pode retardar o escoamento da água no centro urbano.
Fique bem informado!
Receba gratuitamente as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail
Escolha quais newsletters quer receber

