A quinze dias do início da Copa do Mundo, o México anunciou um protocolo de vigilância sanitária contra o ebola em coordenação com Estados Unidos e Canadá. O plano prevê filtros nos aeroportos internacionais, medidas preventivas e revisão de documentos e itinerários de passageiros, inclusive daqueles que não vieram diretamente das regiões afetadas, mas podem ter transitado por outros países.
O surto da cepa Bundibugyo atinge dez países da África Subsaariana e já soma mais de 900 casos suspeitos e 220 mortes, concentrados principalmente na República Democrática do Congo e em Uganda. A região enfrenta um cenário agravado por fragilidades estruturais que dificultam o controle da doença.
"A região onde o vírus está circulando já tem um sistema de saúde muito frágil, com laboratórios sem toda a capacidade, falta de profissionais qualificados e ainda um conflito armado", explica Rachel Soeiro, médica do Médicos Sem Fronteiras.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) mantém cautela e avalia como baixo o risco de a doença se espalhar para outros continentes. Por orientação do órgão, o Brasil não deve fechar fronteiras nem restringir viagens ou comércio. Ainda assim, o Ministério da Saúde ativou o Plano de Contingência Nacional para Febres Hemorrágicas Virais.
O plano intensifica a vigilância especialmente sobre pessoas que viajaram recentemente para a República Democrática do Congo e Uganda e também prevê a distribuição de informações a todos os profissionais que possam ter contato com pacientes – de hospitais de referência a unidades básicas de saúde. O objetivo é identificar casos suspeitos, notificar imediatamente as autoridades e isolar o paciente para a realização de exames.
O secretário de Saúde do México, David Kershenobich, detalhou as medidas previstas para os países-sede. "Teremos filtros sanitários nos aeroportos internacionais, medidas preventivas e também faremos uma revisão dos documentos e do itinerário dos passageiros, pois eles podem não ter vindo necessariamente desses locais, mas podem ter estado na Europa ou em algum outro país", afirmou.
Com a Copa gerando um fluxo intenso de torcedores entre continentes, a preocupação das autoridades sanitárias cresce na mesma medida que o torneio se aproxima. O monitoramento coordenado entre os países-sede e a manutenção dos planos de contingência nacionais são, por ora, a principal linha de defesa contra uma possível disseminação do vírus fora do continente africano.
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