A Polícia Civil apurou que o homem suspeito de cometer importunação sexual em um condomínio em Feira de Santana, na Bahia, mudou a posição da câmera de segurança do local antes de praticar o crime. A revelação passou a integrar o inquérito policial e reforça a tese de que o acusado já possuía habilidade para ocultar a ação e que outras mulheres possam ter sido vítimas sem saber.
A Justiça da Bahia decretou a prisão temporária do estudante de Educação Física Pedro Henrique Sales, de 21 anos. O acusado é morador do próprio prédio e é considerado foragido.
Entenda o caso
O crime aconteceu na academia do condomínio, enquanto uma moradora de 35 anos se exercitava. Como costumava fazer para registrar seu treino, a vítima posicionou o próprio celular sobre uma janela e começou os exercícios.
Ao checar as gravações do aparelho posteriormente, a mulher percebeu estar sendo observada por Pedro Henrique, que se masturbava atrás dela. Logo após o ato, o suspeito deixou o prédio e não foi mais visto no local.
A vítima registrou um boletim de ocorrência na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (DEAM) de Feira de Santana e solicitou uma medida protetiva. Bastante abalada, ela relatou o impacto psicológico do trauma:
"Eu não estou me sentindo segura nem em casa, nem em lugar nenhum. Não fui trabalhar, tenho meu filho e não consegui dar a assistência que ele precisa. Ainda estou assustada com toda essa situação", desabafou a moradora.
Polícia investiga reincidência e premeditação
De acordo com a delegada responsável pelas investigações, Lorena Almeida, o ajuste prévio na câmera da academia revela premeditação:
"Demonstra que ele já tinha alguma experiência, expertise e habilidade no manuseio da câmera. Sabia onde estava, sabia o que a câmera pegava naquele local e fez isso com o objetivo de ocultar o ato dele. O que revela que pode ter feito isso contra outras vítimas, as quais nunca tomaram conhecimento", afirmou a delegada.
A Polícia Civil segue em diligências para localizar e prender o investigado.
Campanha Band Não Se Cala
O Grupo Bandeirantes lançou nesta semana a campanha "Band Não Se Cala" para reforçar a conscientização e o incentivo às denúncias de agressões, estupros e feminicídios em todo o Brasil. A mobilização pretende engajar a sociedade no acolhimento às vítimas e no enfrentamento da impunidade.
A cada 30 segundos, uma mulher aciona a Polícia Militar para pedir socorro no país. Além disso, as estatísticas indicam o registro de um estupro a cada 6 minutos e um feminicídio a cada 6 horas no Brasil. O quadro expõe uma rotina marcada pelo medo, pela solidão e pelo silêncio das vítimas.
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