Jornal da Band

PF pede inclusão de sérvio ligado ao PCC na lista vermelha da Interpol

Antun Mrdeza é apontado como um dos principais articuladores do tráfico internacional de cocaína e usava portos brasileiros para enviar droga à Europa

Rodrigo Hidalgo
RODRIGO HIDALGO

03/06/2026 • 19:39 • Atualizado em 03/06/2026 • 19:39

Um traficante sérvio procurado pela Justiça brasileira teve o nome incluído na lista vermelha da Interpol, a Polícia Internacional. As investigações da Polícia Federal (PF) apontam que Antun Mrdeza tem ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC) e usava portos brasileiros para enviar cocaína à Europa.

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Procurado no Brasil, onde há um mandado de prisão em aberto contra ele, Mrdeza é apontado pela PF como um dos principais articuladores do tráfico internacional de cocaína. Processado em sete países e alvo das autoridades americanas, ele usava o nome falso "Nikola Boros".

Segundo as investigações, o criminoso integra uma célula ligada à máfia italiana 'Ndrangheta e encontrou no Brasil uma base estratégica para abastecer o mercado europeu de drogas.

De acordo com a PF, a cocaína passava por portos como Santos, Paranaguá e Rio Grande, de onde era embarcada em veleiros e navios com destino à Europa. Foram pelo menos cinco envios atribuídos à quadrilha.

Em 2020, a polícia apreendeu quase meia tonelada de cocaína no interior de São Paulo. A droga, que seguiria de veleiro para a Espanha, havia chegado ao estado a bordo de um avião bimotor, interceptado pela Força Aérea Brasileira (FAB).

Em fevereiro deste ano, outro grande carregamento atribuído ao grupo foi apreendido na República Dominicana.

Ligação com o PCC

A Operação Narco Sky, da Polícia Federal, revelou detalhes da parceria entre o traficante estrangeiro e o PCC. Para a PF, o sérvio não era apenas um financiador das remessas de cocaína: ele acompanhava as operações em tempo real e cobrava os comparsas brasileiros.

Dois suspeitos de ligação com o traficante foram presos nesta semana, no Rio Grande do Sul e no Pará. Um colombiano que também estaria no Brasil segue foragido. A Justiça Federal determinou o bloqueio e o sequestro de mais de R$ 630 milhões em bens e valores dos investigados.

Mrdeza passou por países como Colômbia e Equador. No ano passado, foram divulgadas informações sobre uma suposta prisão dele na Venezuela, mas o país nunca confirmou a detenção. Por conta disso, a Polícia Federal pediu a inclusão do nome dele na lista vermelha da Interpol, já que ele continua foragido.