
ICE é a agência que faz as deportações nos EUA
REUTERS/Kevin Mohatt
O governo de Donald Trump anunciou a retirada de todos os agentes do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega) do estado de Minnesota. A decisão ocorre após a morte de dois americanos baleados por policiais federais no mês passado, episódio que desencadeou uma onda de protestos contra a violência nas operações de imigração no país.
Minnesota se tornou o epicentro das manifestações que questionam a conduta dos agentes federais na chamada "caça a imigrantes". Paralelamente ao anúncio da retirada, novas denúncias de abuso de força ganharam força com a divulgação de imagens que contradizem versões oficiais de incidentes anteriores.
Vídeo desmente legítima defesa em ação policial
Um novo vídeo, divulgado por autoridades de Chicago após ordem judicial, revela detalhes de uma ação ocorrida em outubro do ano passado. Na ocasião, a professora Marimar Martinez, cidadã americana e filha de imigrantes, foi baleada cinco vezes por um agente da patrulha de fronteira.
Na época, o governo Trump alegou que Martinez teria avançado com o carro contra a viatura e que o policial agiu em legítima defesa. Martinez, no entanto, seguia os guardas e buzinava para alertar a vizinhança sobre a presença da patrulha. As imagens da câmera de um dos guardas mostram o momento em que um agente diz: "está na hora de ficar agressivo".
Logo após a frase, o motorista da viatura gira o volante propositalmente à esquerda para colidir com o veículo da professora. Após a batida, o agente desembarca e dispara diversas vezes contra Martinez. A mulher chegou a ser hospitalizada e denunciada por obstrução, mas o próprio governo derrubou o caso em novembro.
Pressão popular e prejuízo bilionário no turismo
A divulgação dessas imagens deve aumentar a pressão em todo o país contra as batidas de agentes de imigração. Segundo a análise de Eduardo Barão, o caso de Chicago soma-se ao desgaste enfrentado pelo governo federal após as mortes em Minnesota, onde as operações agora serão encerradas.
Uma pesquisa divulgada pela agência Associated Press indica que o sentimento de reprovação às táticas de imigração é majoritário. De acordo com o levantamento, 60% dos entrevistados entendem que o cerco do governo Trump aos estrangeiros sem documentação foi longe demais.
Apesar da defesa ferrenha das operações pela Casa Branca, os efeitos colaterais atingem a economia. O setor de turismo registrou uma queda de mais de 5% nas viagens de estrangeiros para os Estados Unidos no ano passado. O impacto financeiro para a indústria supera os US$ 12 bilhões, refletindo o receio de visitantes diante do endurecimento das políticas migratórias.
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