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Trump usa reforma bilionária para pressionar presidente do Banco Central

Jerome Powell é alvo de investigação após custos de obra na sede do Fed saltarem para US$ 2,5 bilhões; economistas alertam para riscos à independência monetária

Da redação
DA REDAÇÃO

14/01/2026 • 19:20 • Atualizado em 14/01/2026 • 19:20

Jerome Powell, presidente do Fed

Jerome Powell, presidente do Fed

Reuters

O governo de Donald Trump utiliza o aumento nos custos de uma reforma na sede do Federal Reserve (Fed) como argumento para intensificar a pressão política sobre o presidente da instituição, Jerome Powell. O projeto original para o prédio quase centenário em Washington, inicialmente orçado em US$ 1,9 bilhão, saltou para US$ 2,5 bilhões. A alta é atribuída a fatores como a pandemia, escassez de mão de obra e obstáculos estruturais inesperados.

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A ofensiva ocorre em um momento de desgaste, já que Trump critica abertamente Powell pela manutenção das taxas de juros em patamares elevados.

Em meio ao embate, Powell precisou prestar esclarecimentos ao Congresso e tornou-se alvo de um inquérito do Departamento de Justiça. O presidente do Fed atribui a abertura da investigação a uma tentativa do governo de forçar a queda dos juros através de pressão política direta.

Defesa da independência institucional e repercussão global

A crise institucional nos Estados Unidos gerou uma onda de solidariedade internacional a Jerome Powell. Presidentes de diversos bancos centrais, incluindo Gabriel Galípolo, do Banco Central do Brasil, manifestaram apoio ao colega americano. O grupo ressalta que interferências políticas na autoridade monetária podem desestabilizar economias e elevar a inflação em escala global.

A independência dessas instituições é vista por especialistas como um pilar de estabilidade. Segundo a análise do economista e ex-presidente do Banco Central do Brasil, Armínio Fraga, qualquer movimento que fragilize o Banco Central é prejudicial à economia real e ao bem-estar da população a médio e longo prazo. Fraga destaca que a exposição da diretoria da instituição aos "humores do poder" pode afastar profissionais qualificados de cargos de liderança no setor.

Impactos no futuro da política monetária

O controle da taxa básica de juros é o principal mecanismo para administrar a inflação, e a autonomia técnica para tomar decisões — muitas vezes impopulares — é considerada fundamental para a segurança financeira de um país. Como os Estados Unidos detêm a maior economia do mundo, as decisões tomadas no edifício do Fed impactam mercados globais.

O mandato de Jerome Powell termina em maio deste ano. Independentemente do desfecho das investigações sobre os custos da reforma, a atual crise política deve influenciar diretamente o processo de sucessão no comando do Fed e o rumo das taxas de juros na maior economia do planeta.

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