Jornal da Band

União Europeia ameaça seguir Itália e fechar fronteiras com a Espanha

Efeito dominó ganha força no bloco após a suspensão do Acordo de Schengen por Roma; crise migratória no Marrocos amplia isolamento de Madri e acende alerta para a Copa de 2030

Sonia Blota
SONIA BLOTA

31/07/2026 • 20:23 • Atualizado em 31/07/2026 • 20:41

O agravamento da crise migratória nos enclaves espanhóis no norte da África ameaça desencadear um efeito dominó na União Europeia. Após a Itália suspender unilateralmente o Acordo de Schengen para rotas aéreas e marítimas com a Espanha, nações como Finlândia e Dinamarca ameaçam adotar a mesma medida e suspender a livre circulação de cidadãos espanhóis. Paralelamente, a França anunciou o reforço imediato da fiscalização nas fronteiras com o território espanhol para conter possíveis fluxos de migrantes.

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O estopim para o cerco diplomático contra Madri foi a travessia massiva de cerca de 60 mil pessoas rumo às cidades autônomas de Ceuta e Melilla, localizadas no Marrocos. Os dois enclaves representam a única fronteira terrestre do continente africano com o bloco europeu. Nas travessias pelo mar, ao menos 57 pessoas morreram afogadas.

Impasse diplomático e repatriação em massa

Diante do cenário crítico, o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, esteve em Ceuta e classificou a invasão como uma "violação da soberania nacional", atribuindo o movimento a boatos disseminados por redes de tráfico humano. Em resposta às restrições impostas por vizinhos europeus, Sánchez criticou a falta de empatia no bloco e destacou que a Itália lidera o número de entradas irregulares de migrantes na Europa.

No terreno, o governo espanhol mobilizou o exército e já promoveu a devolução de cerca de 48 mil migrantes às autoridades marroquinas. A grande maioria dos que tentavam atravessar a fronteira era formada por homens jovens, mas o grupo também incluía mulheres e crianças.

Alerta sobre a Copa do Mundo de 2030

A escalada da tensão e o fechamento de fronteiras acenderam o sinal de alerta sobre a organização da Copa do Mundo de 2030, marcada para ser sediada conjuntamente por Espanha, Marrocos e Portugal.

Para receber a competição, o governo marroquino investe US$ 6 bilhões na construção do Grand Stade Hassan II, projetado para ser o maior estádio de futebol do mundo. A obra monumental, no entanto, expõe um forte contraste com a situação econômica do Marrocos, que enfrenta taxas crescentes de desemprego e alta no custo de vida da população local.