O acesso de crianças a dispositivos eletrônicos no Brasil apresenta um crescimento acelerado, gerando novos alertas para pais e educadores sobre os impactos no desenvolvimento infantil e a segurança digital. De acordo com um estudo do Núcleo Ciência pela Infância, o uso de telas e mídias digitais por crianças de até seis anos de idade mais que dobrou em menos de dez anos. Em 2015, o índice era de 11%, saltando para 23% em 2024.
O uso excessivo de celulares e tablets, muitas vezes iniciado ainda na fase de bebês, tem se tornado uma preocupação central para a Sociedade Brasileira de Pediatria. A entidade orienta formalmente que o contato com telas seja evitado até os dois anos de idade, visando proteger o desenvolvimento cognitivo e motor das crianças.
Impactos no desenvolvimento e segurança digital
A exposição precoce aos eletrônicos pode acarretar prejuízos visíveis na fala e na interação social. Um exemplo é o caso de Leonardo, de três anos, que utiliza dispositivos desde o primeiro ano de vida. A mãe, a professora Illyana Ferreira do Canto, relatou que notou uma regressão no comportamento do filho, que passou a falar menos e a demonstrar falta de atenção.
Após identificar os sinais, a família buscou ajuda profissional e a criança iniciou tratamento fonoaudiológico. Com a filha mais nova, de apenas seis meses, a regra de Illyana mudou: o contato com telas foi totalmente restringido.
Além das questões de saúde, o acesso precoce é visto como uma porta de entrada para riscos em redes sociais e jogos online. Segundo o promotor Fábio Costa Pereira, a tela funciona como um "portal" que permite que crianças acessem ambientes perigosos sem que os responsáveis percebam a gravidade da exposição. Illyana Ferreira do Canto reforça que o controle dos pais é fundamental, destacando que muitas vezes o que parece ser "apenas um joguinho" pode esconder interações com desconhecidos.
Regulação e monitoramento das plataformas
Atualmente, o Brasil não possui um órgão específico para o controle exclusivo das redes sociais, mas as plataformas digitais estão sujeitas a normas vigentes. A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) tem competência para punir empresas por conteúdos ilegais ou tratamento inadequado de dados.
Adicionalmente, as empresas de tecnologia são obrigadas a realizar o monitoramento de conteúdos para garantir a segurança dos usuários, especialmente os menores de idade.
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