Jornal da Band

Uso de telas por crianças dobra no Brasil em menos de uma década

Especialistas alertam para riscos ao desenvolvimento infantil e perigos de segurança digital com o acesso precoce a dispositivos móveis e redes sociais

Da redação
DA REDAÇÃO

19/12/2025 • 19:28 • Atualizado em 19/12/2025 • 19:28

O acesso de crianças a dispositivos eletrônicos no Brasil apresenta um crescimento acelerado, gerando novos alertas para pais e educadores sobre os impactos no desenvolvimento infantil e a segurança digital. De acordo com um estudo do Núcleo Ciência pela Infância, o uso de telas e mídias digitais por crianças de até seis anos de idade mais que dobrou em menos de dez anos. Em 2015, o índice era de 11%, saltando para 23% em 2024.

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O uso excessivo de celulares e tablets, muitas vezes iniciado ainda na fase de bebês, tem se tornado uma preocupação central para a Sociedade Brasileira de Pediatria. A entidade orienta formalmente que o contato com telas seja evitado até os dois anos de idade, visando proteger o desenvolvimento cognitivo e motor das crianças.

Impactos no desenvolvimento e segurança digital

A exposição precoce aos eletrônicos pode acarretar prejuízos visíveis na fala e na interação social. Um exemplo é o caso de Leonardo, de três anos, que utiliza dispositivos desde o primeiro ano de vida. A mãe, a professora Illyana Ferreira do Canto, relatou que notou uma regressão no comportamento do filho, que passou a falar menos e a demonstrar falta de atenção.

Após identificar os sinais, a família buscou ajuda profissional e a criança iniciou tratamento fonoaudiológico. Com a filha mais nova, de apenas seis meses, a regra de Illyana mudou: o contato com telas foi totalmente restringido.

Além das questões de saúde, o acesso precoce é visto como uma porta de entrada para riscos em redes sociais e jogos online. Segundo o promotor Fábio Costa Pereira, a tela funciona como um "portal" que permite que crianças acessem ambientes perigosos sem que os responsáveis percebam a gravidade da exposição. Illyana Ferreira do Canto reforça que o controle dos pais é fundamental, destacando que muitas vezes o que parece ser "apenas um joguinho" pode esconder interações com desconhecidos.

Regulação e monitoramento das plataformas

Atualmente, o Brasil não possui um órgão específico para o controle exclusivo das redes sociais, mas as plataformas digitais estão sujeitas a normas vigentes. A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) tem competência para punir empresas por conteúdos ilegais ou tratamento inadequado de dados.

Adicionalmente, as empresas de tecnologia são obrigadas a realizar o monitoramento de conteúdos para garantir a segurança dos usuários, especialmente os menores de idade.

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