Para ampliar a segurança das passageiras e combater a violência contra a mulher, cidades brasileiras vêm implementando e reforçando medidas de exclusividade e preferência no transporte público. No entanto, o desrespeito às regras e a falta de conscientização por parte de alguns passageiros ainda são grandes obstáculos.
Salvador estreia vagão preferencial em agosto
Em Salvador (BA), começou a operar o vagão preferencial para mulheres no metrô. A medida funciona de segunda a sexta-feira, nos horários de pico, das 6h às 9h e das 17h às 20h.
A ação faz parte da campanha Agosto Lilás, voltada ao enfrentamento da violência contra as mulheres e à prevenção de casos de importunação sexual nos transportes públicos. Usuárias comemoram a iniciativa e esperam que a medida traga maior tranquilidade no dia a dia.
A urgência por maior proteção se reflete nos números: apenas nos primeiros sete meses deste ano, a Bahia registrou mais de 1.400 casos de importunação sexual — valor que equivale a 85% de todas as ocorrências do ano passado no estado. Em todo o Brasil, foram registrados mais de 41 mil casos no ano anterior, um aumento de quase 6% em comparação ao período anterior.
Em outras cidades baianas, como Itabuna, iniciativas semelhantes já foram implantadas, incluindo a "Linha Lilás", com ônibus de uso exclusivo diário para o público feminino.
No Rio de Janeiro, vagão exclusivo enfrenta resistência
Diferente do caráter preferencial e temporário adotado na capital baiana, o Rio de Janeiro conta com a exclusividade total dos vagões femininos durante todo o horário de funcionamento dos trens e do metrô desde o mês de março. A legislação prevê multas que variam de R$ 280 a mais de R$ 1.700 para os homens que descumprirem a norma.
Apesar da previsão de punição financeira, flagrantes mostram que a regra é frequentemente ignorada, sobretudo nos horários de maior movimento. Passageiras relatam constante desrespeito e ausência de fiscalização nos pontos de embarque e dentro dos vagões.
Em defesa, as concessionárias responsáveis pelos serviços de transporte afirmam que a fiscalização é realizada continuamente e que mantêm campanhas frequentes de conscientização para orientar os usuários sobre a legislação vigente.
Campanha A Band Não Se Cala
O Grupo Bandeirantes lançou a campanha "A Band Não Se Cala" para reforçar a conscientização e o incentivo às denúncias de agressões, estupros e feminicídios em todo o Brasil. A mobilização pretende engajar a sociedade no acolhimento às vítimas e no enfrentamento da impunidade.
A cada 30 segundos, uma mulher aciona a Polícia Militar para pedir socorro no país. Além disso, as estatísticas indicam o registro de um estupro a cada 6 minutos e um feminicídio a cada 6 horas no Brasil. O quadro expõe uma rotina marcada pelo medo, pela solidão e pelo silêncio das vítimas.
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