Jornal da Band

Vazamento de dados abastece golpes bancários e quadrilhas em São Paulo

Venda de informações sigilosas em sites estrangeiros facilita fraudes financeiras; especialistas recomendam desvincular e-mails e celulares de recuperação

Giba Smaniotto
GIBA SMANIOTTO

24/04/2026 • 20:32 • Atualizado em 24/04/2026 • 20:32

A Polícia Civil de São Paulo prendeu 10 pessoas em flagrante, nesta quinta-feira (23), suspeitas de integrar uma organização criminosa especializada no golpe do falso gerente de banco. O grupo operava em um quartel-general de luxo na Zona Sul da capital paulista e utilizava dados vazados de correntistas para clonar números de funcionários de instituições financeiras e enganar clientes.

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A operação ocorreu na Avenida Guarapiranga e resultou na detenção de cinco homens e cinco mulheres. Com uma lista detalhada de clientes em mãos, os criminosos entravam em contato com as vítimas fingindo ser funcionários das agências para solicitar informações bancárias e realizar transferências indevidas.

O mercado ilegal de dados sigilosos

O avanço desse tipo de crime está diretamente ligado a uma indústria acelerada de comercialização de informações confidenciais. Dados como CPF, RG, endereços e até placas de veículos são vendidos em sites com registros fora do Brasil, o que dificulta a fiscalização e a punição dos responsáveis.

Para os criminosos, esses dados funcionam como armas. Eles cruzam as informações compradas com postagens de redes sociais das vítimas para criar uma rede de conhecimento que gera confiança durante a abordagem. Em um dos casos, uma quadrilha chegou a desviar R$ 14 milhões de uma única empresa com a colaboração de um ex-gerente de agência.

Lilian, uma cidadã que buscava dar entrada na aposentadoria, relatou que passou a receber ofertas de crédito consignado e solicitações falsas de "prova de vida" por telefone assim que iniciou o processo oficial. O acesso precoce dos golpistas a dados de órgãos públicos e bancos assusta os usuários pela precisão das abordagens.

Como se proteger das fraudes digitais

A principal vulnerabilidade explorada pelos bandidos atualmente são os mecanismos de recuperação de senha. O perito forense Adriano Vallim explica que a facilidade de redefinir acessos via SMS ou e-mail logado no próprio aparelho é o que permite a invasão das contas após o roubo ou clonagem do dispositivo.

Segundo Vallim, a recomendação fundamental é não vincular o número de celular de uso diário aos cadastros de aplicativos bancários. Se o aparelho principal for acessado por terceiros, o criminoso terá em mãos tanto o aplicativo quanto o meio de receber o código de recuperação de senha.

O ideal, conforme aponta a análise técnica, é configurar um número de recuperação de uma pessoa de confiança, como um familiar, ou utilizar uma linha telefônica exclusiva que permaneça em local seguro. Outra estratégia eficaz é possuir um e-mail específico para bancos que não esteja logado no celular utilizado na rua.

Dicas práticas para segurança bancária

  • Desvinculação de SMS: Evite que o celular onde está o aplicativo do banco seja o mesmo que recebe o SMS de recuperação de senha.
  • E-mail exclusivo: Utilize um endereço de e-mail apenas para assuntos financeiros e mantenha-o deslogado do smartphone de uso comum.
  • Aparelho reserva: Sempre que possível, mantenha as operações bancárias em um dispositivo que não saia de casa.
  • Atenção a abordagens: Gerentes de bancos não solicitam senhas ou transferências de teste por telefone ou aplicativos de mensagem.

As autoridades reforçam que, diante de qualquer contato suspeito, o cliente deve desligar imediatamente e procurar os canais oficiais da instituição financeira ou comparecer presencialmente à agência. O caso dos presos na Zona Sul de São Paulo segue sob investigação para identificar outros envolvidos no esquema de clonagem.

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