Jornal da Band

Violência urbana encarece seguro de automóveis em até 60% no RJ

Preço do seguro no RJ varia conforme índice de roubos por bairro

LAILA HALLACK

21/03/2026 • 22:34 • Atualizado em 21/03/2026 • 22:34

A insegurança pública no Rio de Janeiro tornou-se o principal fator de encarecimento dos seguros de automóveis, consolidando o estado como o detentor das apólices mais caras do país. Com uma média de quase 70 roubos de veículos por dia registrada no último ano, o custo para proteger o patrimônio reflete diretamente os índices de criminalidade de cada localidade.

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Um levantamento exclusivo realizado pelo Jornal da Band mostra que a variação de preço entre bairros próximos pode chegar a 60%.

Para motoristas que dependem do veículo, como o condutor de aplicativo Glauco Malaquias, o seguro é um item indispensável, não apenas pela proteção contra assaltos, mas também pela cobertura em acidentes. No entanto, o acesso a essa proteção esbarra no chamado "fator de risco" das seguradoras, que analisa o perfil do condutor, o modelo do carro e, crucialmente, os trajetos e o local de residência.

Disparidade de preços na Zona Sul

A análise detalha como a violência em micro-regiões impacta o bolso do consumidor. Na Zona Sul da capital fluminense, o valor médio do seguro gira em torno de 4,2% do valor de mercado do veículo. Contudo, essa taxa oscila severamente de acordo com o bairro:

  • Leblon: Para um modelo padrão, o seguro básico custa aproximadamente R$ 3.300.
  • Glória: Distante cerca de 15 quilômetros do Leblon e na mesma região da cidade, a cotação salta para mais de R$ 5.300.

Essa diferença de R$ 2.000 (60% de acréscimo) é explicada pelas estatísticas de segurança: no ano passado, o bairro da Glória registrou oito vezes mais roubos de carros do que o Leblon.

Impacto no mercado e acessibilidade

O aumento nos prêmios das apólices gera um ciclo negativo para o setor. Segundo Bernardo Câmara, vice-presidente do Sindicato das Empresas de Seguros (Sindseg RJ/ES), o encarecimento não é vantajoso para as seguradoras, pois reduz drasticamente a base de clientes capazes de arcar com os custos. "Quanto mais caro é o seguro, menos gente tem capacidade de comprar", afirma o executivo.