Jornal da Band

Vítimas de incêndio no Shopping Tijuca haviam alertado sobre riscos em loja

O documento, datado de 27 de dezembro, descreve um cenário de alto risco na casa de máquinas e no estoque da loja

MARIA EDUARDA VIEIRA

08/01/2026 • 21:30 • Atualizado em 08/01/2026 • 21:30

Novos documentos trazem uma reviravolta emocionante e técnica ao caso do incêndio que atingiu o Shopping Tijuca, no Rio de Janeiro. Anderson Aguiar Prado, supervisor do mall, e Emellyn Silva, brigadista de incêndio, as duas vítimas fatais da tragédia, haviam assinado um relatório detalhando graves irregularidades na Loja apenas seis dias antes do início das chamas.

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Relatório Apontou Falhas Graves

O documento, datado de 27 de dezembro, descreve um cenário de alto risco na casa de máquinas e no estoque da loja. Entre as irregularidades encontradas pela vistoria de Anderson e Emellyn estavam:

  • Detectores de fumaça desmontados no piso superior;
  • Fiações elétricas presas de forma precária com fita isolante;
  • Armazenamento incorreto de mercadorias, com caixas empilhadas acima da altura permitida, obstruindo a eficácia dos sprinklers (chuveiros automáticos).

Segundo o relatório, essas falhas não apenas aumentavam as chances de um curto-circuito, mas também impediam que o sistema de segurança do shopping detectasse e combatesse o fogo em seu estágio inicial.

Avisos Ignorados

De acordo com a administração do Shopping Tijuca, a Loja foi notificada formalmente mais de uma vez sobre os riscos. Um segundo aviso teria sido enviado aos proprietários no dia 29 de dezembro, dois dias após a vistoria técnica.

Documentos anexados ao inquérito pela equipe jurídica do shopping mostram que os e-mails de alerta foram entregues à Polícia Civil, comprovando que o estabelecimento estava ciente das pendências. Um aviso adicional, datado de fevereiro de 2025, reforçava a necessidade urgente de correções, indicando que os problemas eram recorrentes.

Investigação em Andamento

A Polícia Civil do Rio de Janeiro continua realizando perícias no local para determinar a causa exata do acidente. A principal linha de investigação sugere que o fogo tenha começado no sistema de ar-condicionado da loja, justamente em uma das áreas onde Anderson e Emellyn haviam identificado fiação exposta e armazenamento irregular de materiais combustíveis.

A morte dos dois profissionais, que trabalhavam justamente para garantir a segurança dos frequentadores do shopping, causou grande comoção. O caso agora segue para a justiça, que deve apurar a responsabilidade dos proprietários da loja diante dos alertas documentados pelas vítimas.

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