Jornal da Band

Zuckerberg enfrenta júri em caso histórico sobre vício em redes sociais

CEO da Meta presta depoimento em Los Angeles; processo acusa plataformas de projetarem algoritmos que induzem depressão e pensamentos suicidas em jovens

EDUARDO BARÃO

18/02/2026 • 20:48 • Atualizado em 18/02/2026 • 20:48

O CEO da Meta, Mark Zuckerberg, compareceu nesta quarta-feira ao Tribunal de Los Angeles para prestar depoimento em um julgamento considerado um marco jurídico para o setor de tecnologia. Diferente de suas participações anteriores em audiências no Congresso Americano, esta é a primeira vez que o empresário encara um júri popular.

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Zuckerberg é a figura central de uma ação movida por uma jovem de 20 anos que acusa o Facebook e o Instagram de serem projetados deliberadamente para viciar crianças e adolescentes.

A Alphabet, controladora do Google e do YouTube, também figura como ré no processo. A acusação foca em ferramentas específicas das plataformas, como a rolagem infinita de vídeos, o envio constante de notificações e o uso de algoritmos que direcionam conteúdos específicos para manter o usuário conectado por mais tempo. Segundo a denúncia, esses mecanismos são os principais responsáveis por criar dependência tecnológica em menores de idade.

Impactos na saúde mental e relatos das vítimas

A autora do processo, identificada como Kaley, afirma que o uso compulsivo das redes sociais começou ainda na infância e resultou em um quadro grave de depressão, ansiedade e pensamentos suicidas. De acordo com o correspondente Eduardo Barão, a jovem sustenta que a arquitetura das plataformas foi o fator determinante para a deterioração de sua saúde mental.

O clima no tribunal foi de forte comoção. Embora a audiência tenha ocorrido de portas fechadas para a imprensa, os poucos assentos destinados ao público foram ocupados por pais e mães que movem ações semelhantes contra a Meta em outros estados americanos.

Muitos desses familiares culpam as redes sociais pela morte de seus filhos, que cometeram suicídio após sofrerem bullying virtual ou desenvolverem transtornos ligados ao uso compulsivo. Em frente ao tribunal, esses pais realizaram um ato de resistência, permanecendo abraçados durante o depoimento do empresário.

Precedente para as Big Techs

Zuckerberg deu explicações sobre os mecanismos de segurança aplicados no Facebook e no Instagram, tentando refutar a tese de que as plataformas negligenciam o bem-estar dos jovens. No entanto, o desfecho deste caso é aguardado com apreensão pelo Vale do Silício.

O julgamento em Los Angeles deve durar pelo menos mais dois meses. Especialistas jurídicos indicam que, caso a Meta seja condenada, a decisão poderá servir de precedente para influenciar o resultado de milhares de outras ações judiciais que tramitam contra empresas de mídia social nos Estados Unidos. O foco central da discussão jurídica é a responsabilidade das Big Techs sobre os danos psicológicos causados pelo design de seus produtos.