Jornal da Noite

Acordo Mercosul-União Europeia deve ser fechado até dezembro, diz Alckmin

Vice-presidente afirma otimismo, mas Paris pressiona por garantias a produtores rurais; carne e açúcar preocupam agricultores franceses

Sonia Blota
SONIA BLOTA

04/11/2025 • 00:55 • Atualizado em 04/11/2025 • 00:55

O vice-presidente Geraldo Alckmin afirma, nesta segunda-feira, que o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia deve ser assinado até o mês de dezembro. A declaração otimista foi dada durante o Fórum Paulista de Desenvolvimento, realizado em Itu, no interior de São Paulo. No entanto, o fechamento do acordo enfrenta a resistência contínua do governo da França, que é pressionado por seu setor agrícola.

Compartilhar

O tratado, negociado há mais de 20 anos e já aprovado pela Comissão Europeia em setembro, prevê a liberalização comercial em duas vias. A Europa poderá exportar produtos industrializados como carros, máquinas e bebidas alcoólicas para os países sul-americanos. Em troca, o Mercosul – composto por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai – terá maior acesso ao mercado europeu para seus produtos agrícolas.

O ponto de impasse se concentra nos produtos agrícolas exportados pelo Mercosul, especialmente carne, açúcar e arroz, majoritariamente de origem brasileira. Produtores rurais da França manifestam temor de que o mercado europeu seja inundado por esses produtos, considerados de alta qualidade e altamente competitivos, caso o acordo entre em vigor. A principal alegação dos agricultores franceses é que os custos de produção no Mercosul são menores, o que representaria uma concorrência desleal para o setor europeu.

Garantias Europeias Sob Avaliação Francesa

Diante da pressão dos agricultores locais, a França mantém o "pé no freio" e avalia as cláusulas de segurança inseridas no tratado. A Comissão Europeia, ao aprovar o texto em setembro, anunciou que adicionou mecanismos de proteção para os produtores locais. Essas cláusulas preveem medidas de segurança caso haja um aumento repentino nas importações do Mercosul ou uma queda acentuada nos preços das commodities no bloco europeu.

Apesar da aprovação da Comissão Europeia, o ministro francês para Assuntos Europeus, Benjamin Haddad, diz estar avaliando a efetividade dessas garantias para o setor agrícola. A posição francesa é crucial, pois o acordo necessita da ratificação de todos os parlamentos nacionais dos países-membros da União Europeia, o que pode ser inviabilizado pelo voto francês se as preocupações do setor agrícola não forem mitigadas.

A pressão dos produtores rurais na França é o principal obstáculo a ser superado para que a meta de assinatura até dezembro, manifestada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, seja alcançada. A União Europeia busca um equilíbrio entre o interesse de seus setores industriais e as garantias exigidas por seus produtores agrícolas para que o maior acordo comercial do bloco seja, de fato, concretizado. O andamento da avaliação francesa é o próximo passo determinante para o futuro do tratado.