
REUTERS/Carla Carniel
O setor de serviços, motor da economia brasileira, cresceu 0,6% em setembro, superando as expectativas do mercado. Apesar do dado positivo, uma análise mais detalhada revela que os juros altos já impactam o orçamento doméstico, levando a uma queda no consumo das famílias.
Esse cenário de economia forte, mas com sinais de desaceleração, foi analisado por Juliana Rosa no Jornal da Band desta quarta-feira (13).
O dado de setembro marca o oitavo resultado positivo consecutivo para o setor de serviços, que, segundo Juliana Rosa, é o mais importante da economia e o que mais gera empregos no país.
O setor engloba tanto serviços consumidos por empresas, como transportes e limpeza, quanto aqueles voltados diretamente às famílias, como restaurantes e salões de beleza.
Apesar da alta no índice geral, a fotografia dos últimos meses, segundo a análise, já mostra um crescimento mais devagar. Um sinal claro dessa tendência foi a queda registrada especificamente nos serviços consumidos pelas famílias.
Para Juliana Rosa, "isso é reflexo dos juros altos, que têm aumentado o endividamento e reduzido o consumo".
Essa combinação de uma atividade econômica em desaceleração com dados recentes de inflação mais baixa tem alimentado as expectativas do mercado financeiro por cortes na taxa básica de juros. Foi esse otimismo que impulsionou os recentes ganhos na bolsa de valores.
Bolsa encerra rali histórico
A bolsa brasileira encerrou nesta quarta-feira uma sequência histórica de 12 recordes seguidos. O pregão fechou com um "leve recuo", interrompendo um forte movimento de otimismo que marcou o início da semana, quando a bolsa chegou a acumular 15 altas consecutivas.
O dólar acompanhou o movimento de ajuste e fechou em alta, mas, como destacou Juliana Rosa, "segue abaixo de R$ 5,30".
Presidente do BC prega cautela
Apesar da euforia do mercado com a possibilidade de queda de juros, o presidente do Banco Central (BC) adotou um tom cauteloso em declaração nesta quarta-feira.
Segundo ele, a decisão sobre o futuro da taxa Selic "ainda depende de dados" e da consolidação do cenário de inflação.
O presidente do BC foi enfático ao afirmar que, "se alguém acha que tem alguma sinalização sobre quando vai cortar, é porque entendeu errado".
A fala é um esforço da autoridade monetária para conter o otimismo e alinhar as expectativas do mercado ao ritmo da política monetária.
No entanto, a declaração não parece ter alterado a convicção dos investidores. "Mas olha, a expectativa segue sendo de corte de juros. Já em janeiro", concluiu Juliana Rosa.
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