Jornal da Noite

Brasileira cai em golpe de falso emprego no Camboja e está presa há seis meses

Família da arquiteta Daniela Costa, de 35 anos, luta pela extradição após ela ser alvo de armadilha com tráfico humano no Sudeste Asiático

CÉLIO CAMILO

10/10/2025 • 00:59 • Atualizado em 10/10/2025 • 00:59

Daniela Costa, arquiteta de 35 anos e natural de Minas Gerais, está presa no Camboja há pelo menos seis meses após cair em um golpe internacional de falso emprego. A mineira, que enfrenta condições desumanas na prisão, foi atraída por uma oferta para trabalhar com telemarketing, que prometia salário, moradia e alimentação, mas se revelou uma armadilha de tráfico humano.

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Segundo relatos da família, Daniela recebeu a proposta de trabalho em janeiro, conforme detalha sua mãe, Myriam Oliveira. A prima da arquiteta, Karoline Maia, explica que, ao chegar ao país asiático, a vaga de telemarketing não era convencional.

A situação de Daniela se agravou quando a família enviou R$ 27 mil acreditando estar ajudando a arquiteta. Contudo, os criminosos teriam forjado uma situação, escondendo drogas no banheiro utilizado por ela, o que resultou na sua prisão. A arquiteta divide atualmente uma cela com quase 90 pessoas, em condições insalubres, e chegou a ter uma infecção, demorando dias para receber atendimento médico.

Uma das suspeitas de ter recrutado Daniela para a Ásia publicou um vídeo em uma rede social rebatendo as denúncias da família, afirmando que a brasileira não teria recebido nem comida adequada na prisão.

Família busca intervenção do Governo e Itamaraty confirma acompanhamento

A família da arquiteta vive momentos de grande angústia. O pai de Daniela chegou a ser internado, abalado pela situação, conforme apurou o repórter Célio Camilo, direto do Hospital Luxemburgo, em Belo Horizonte. Os parentes recorrem a campanhas nas redes sociais e buscam o apoio de autoridades brasileiras na tentativa de conseguir a extradição da mineira.

Williamder Salomão, especialista em Direito Internacional e Direitos Humanos, orienta que a primeira ação que Daniela e todas as famílias em situação semelhante podem tomar é buscar ajuda junto ao governo, para que seja iniciada uma "conversa de governo para governo" visando o retorno da cidadã ao Brasil. O especialista reforça o alerta sobre ofertas de trabalho com salários exorbitantes no exterior, como "três mil dólares", que são "geralmente" indícios de tráfico de pessoas.

Em nota oficial, o Itamaraty confirmou que acompanha o caso e presta assistência consular à arquiteta. O Ministério das Relações Exteriores informou que tem atuado de forma proativa nos casos de tráfico de pessoas no Sudeste Asiático. A gravidade do problema se reflete nos números: em 2024, 63 brasileiros foram identificados em situações análogas, sendo 41 deles na mesma região onde Daniela foi enganada.

O caso da arquiteta mineira ilustra o crescimento do problema global do tráfico humano, que se expande por meio de falsas promessas de trabalho. Enquanto Daniela permanece presa, sua mãe, Myriam Oliveira, mantém o apelo por justiça e expressa o desejo da família de trazê-la de volta "com saúde e segurança", para que "nenhum outro brasileiro caia num golpe tão cruel como esse".