Jornal da Noite

Câmara aprova projeto que pune uso de drones por facções criminosas

CCJ aprova proposta que tipifica novo crime com pena de 2 a 6 anos de reclusão; Governo é contra equiparação de crime organizado a terrorismo

NATHÁLIA PASE

07/11/2025 • 00:10 • Atualizado em 07/11/2025 • 00:10

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados aprova um projeto de lei que cria um novo crime no Código Penal, visando punir a posse e o uso de drones por organizações criminosas. A votação na CCJ é simbólica e rápida, sinalizando o avanço da matéria que segue agora para apreciação no Plenário da Câmara.

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Caso o projeto seja aprovado por deputados e senadores, e sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a nova legislação estabelece uma pena de dois a seis anos de reclusão. O escopo da punição abrange o planejamento de ações criminosas, e não apenas o uso efetivo dos equipamentos. A medida também prevê a criminalização do uso de drones para lançar explosivos, como granadas.

O projeto de lei ganha impulso no Congresso após uma megaoperação realizada recentemente contra a facção criminosa Comando Vermelho, no Rio de Janeiro. A ofensiva policial ressalta a preocupação das autoridades com a crescente sofisticação tecnológica empregada pelo crime organizado.

Debate sobre segurança e terrorismo

Na mesma sessão, a Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado aprova outros dois projetos que visam equiparar as ações de milícias, facções criminosas e grupos armados a atos de terrorismo. A proposta mais ampla busca enquadrar o crime organizado nos termos da Lei Antiterrorismo, provocando um intenso debate político.

O Governo Federal se manifesta terminantemente contra a equiparação da atuação de facções criminosas no Brasil ao terrorismo. O argumento central da administração é que tal medida poderia criar um precedente para a abertura de espaço para uma intervenção estrangeira no país, em questões de segurança pública.

PEC da Segurança Pública

Paralelamente, a base governista e a oposição divergem sobre os termos da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública. A PEC estabelece que cabe à União legislar sobre a segurança e coordenar o sistema nacional de segurança pública. Além disso, o texto propõe a integração de todas as forças de segurança do país sob uma coordenação centralizada.

O avanço desses projetos reflete a intensa movimentação do Congresso Nacional em resposta aos desafios do combate ao crime organizado e à modernização das políticas de segurança pública. O projeto dos drones segue para votação em Plenário, enquanto o debate sobre a equiparação de facções a terrorismo e a PEC da Segurança Pública prosseguem no Legislativo.