Jornal da Noite

Criadores de ovelhas investem na tosa para garantir bem-estar do rebanho

Técnica aplicada no interior paulista previne doenças e aumenta produtividade; zootecnista explica diferença entre tosa completa e higiênica no manejo

LAISE ARAUJO

11/03/2026 • 23:21 • Atualizado em 11/03/2026 • 23:21

Criadores de ovelhas investem na tosa para garantir bem-estar do rebanho

Criadores de ovelhas investem na tosa para garantir bem-estar do rebanho

Band TV

No interior de São Paulo, a ovinocultura adota a tosa como uma estratégia fundamental de manejo. Mais do que uma questão estética, a retirada da lã é essencial para prevenir doenças e garantir a qualidade de vida dos animais. O processo, conhecido como tosquia, é realizado prioritariamente entre a primavera e o início do verão, com o objetivo de evitar que o rebanho sofra com o calor intenso característico da época.

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Em Pirapozinho, no oeste paulista, o zootecnista e criador Rafael Jorge mantém cerca de 50 ovelhas da raça Suffolk. Ele esclarece que, por se tratar de uma raça voltada ao corte e não à produção têxtil, a lã desses animais não possui valor comercial para o mercado de tecidos. No entanto, a manutenção da tosquia é constante para assegurar o conforto térmico e a higiene do rebanho.

Tipos de tosa e benefícios para a produtividade

O manejo adequado das ovelhas envolve dois tipos principais de procedimentos: a tosa completa e a tosa higiênica. A escolha entre elas depende da época do ano e das condições específicas do animal:

  • Tosa Completa: Realizada de forma sazonal, geralmente antes do verão, para preparar o animal para as altas temperaturas.
  • Tosa Higiênica: Pode ser feita durante todo o ano e foca em áreas específicas do corpo. É especialmente recomendada no período pré-parto para facilitar a amamentação e manter a limpeza.

Segundo Rafael Jorge, a lã em si não é prejudicial ao animal, funcionando inclusive como uma barreira de proteção. Contudo, a retirada estratégica auxilia diretamente na produtividade. A técnica melhora a mobilidade, facilita a identificação de parasitas e contribui para o bem-estar geral, o que reflete em um rebanho mais saudável.

No oeste de São Paulo, onde os termômetros frequentemente atingem a marca de 40 graus, o manejo correto da pelagem torna-se um diferencial para o produtor. Ao equilibrar a proteção natural da lã com as intervenções de tosquia, os criadores conseguem manter o desempenho zootécnico mesmo sob condições climáticas desafiadoras.