Os impactos climáticos provocados pelo fenômeno El Niño e as incertezas do cenário geopolítico internacional acenderam o alerta para a produtividade do agronegócio brasileiro. Durante o 25º Congresso Brasileiro do Agronegócio (CBA), realizado em São Paulo na última segunda-feira (10) e promovido pela Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), representantes do setor produtivo, entidades de classe e autoridades públicas reuniram-se nesta segunda-feira para debater os gargalos da lavoura e exigir que a produção de alimentos seja tratada como uma política permanente de Estado, com estratégias e planejamento de longo prazo.
Enquanto o Sul do país enfrenta o excesso de chuvas, o Centro-Oeste sofre com estiagens severas em pleno período de plantio. A região concentrou historicamente 48,75% de toda a soja produzida no Brasil.
Com o déficit hídrico, as plantas desenvolvem-se menos, a incidência de pragas aumenta e a necessidade do uso de defensivos se eleva, gerando uma equação prejudicial ao produtor: queda na produtividade e elevação dos custos de produção.
Estratégias de manejo e gargalos fora da fazenda
Para mitigar os danos do clima, agricultores que cultivam soja e milho têm investido no manejo intensivo do solo e na adoção de sementes mais resistentes às intempéries. A preparação estende-se também a culturas permanentes e mais sensíveis às variações térmicas, como o café, o cacau e os citros.
No entanto, as lideranças do setor ressaltam que os desafios ultrapassam os limites das propriedades rurais. Durante os painéis do evento, que abordaram temas como a geopolítica global e a inovação tecnológica na indústria agrícola, foram elencadas pautas prioritárias para garantir a sustentabilidade financeira do campo:
- Seguro Agrícola: Entidades como a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (FAESP) reforçaram a necessidade urgente de um sistema de seguro rural abrangente e eficiente para proteger a produção contra catástrofes climáticas.
- Renegociação de Dívidas: Representantes da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) destacaram o avanço das tratativas para a repactuação dos débitos de produtores afetados por perdas de safra.
- Geopolítica e Mercados: A ex-ministra da Agricultura e senadora Tereza Cristina e o presidente da ABAG, Ingo Plöger, pontuaram que os conflitos internacionais e as oscilações do mercado externo reforçam a urgência de o Brasil consolidar uma política agrícola de longo prazo, imune a trocas de governos ou ciclos eleitorais a cada quatro anos.
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