Jornal da Noite

Evento no Paraná discute prevenção contra tornados

Seminário inédito organizado pelo Simepar em Curitiba reúne meteorologistas e Defesa Civil para discutir a resposta a fenômenos climáticos no Sul do país

BÁRBARA HAMMES

23/03/2026 • 23:39 • Atualizado em 23/03/2026 • 23:39

Especialistas em meteorologia e gestão de crises estão reunidos em Curitiba para discutir estratégias de prevenção e resposta a eventos climáticos extremos. O seminário, organizado pelo Simepar (Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná), é o primeiro evento técnico do estado focado especificamente em tornados, fenômenos que têm se tornado mais frequentes e destrutivos na região Sul do Brasil.

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O debate central do encontro gira em torno da maior recorrência desses episódios e da necessidade de protocolos ágeis de alerta. Somente no último verão, o Paraná registrou três tornados. Em janeiro deste ano, o município de São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, sofreu danos significativos, com casas destelhadas e moradores feridos após a passagem do fenômeno.

Histórico recente e impactos estruturais

A gravidade dos eventos recentes impulsionou a urgência do seminário. Em novembro do ano passado, o estado registrou um episódio atípico com a formação de três tornados em um único dia. O caso mais devastador ocorreu em Rio Bonito do Iguaçu, na região central do Paraná, onde sete pessoas morreram e cerca de 90% da estrutura urbana da cidade foi destruída pela força dos ventos.

Segundo Paulo de Tarso, diretor-presidente do Simepar, o objetivo do encontro vai além da análise técnica do clima. A intenção é aprimorar o fluxo de informações após o atendimento inicial de emergência, garantindo que a ciência meteorológica contribua diretamente para a segurança da população em solo.

Integração entre ciência e forças de segurança

O seminário em Curitiba promove a integração entre meteorologistas, pesquisadores acadêmicos e representantes de órgãos operacionais, como a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros. Essa cooperação é considerada essencial para reduzir o tempo de resposta entre a identificação da formação de uma supercélula de tempestade e o alerta efetivo para os moradores das áreas de risco.

Os especialistas discutem modelos de monitoramento que possam identificar com maior precisão as condições termodinâmicas que favorecem a ocorrência de tornados no estado. O foco é transformar os dados coletados pelos radares do Simepar em ações preventivas coordenadas, minimizando perdas materiais e, prioritariamente, protegendo a vida dos paranaenses diante da nova realidade climática.