O crime organizado expande seu domínio no estado do Rio de Janeiro, com facções criminosas controlando 95% dos municípios fluminenses, segundo um levantamento do Setor de Inteligência da Polícia Militar (PM). De acordo com o relatório, apenas 15 das 92 cidades do estado não registram a presença de áreas sob a influência de nenhuma dessas organizações.
A presença das facções se traduz em um regime de intimidação nas comunidades dominadas, onde os grupos criminosos expulsam moradores, cobram taxas, fecham comércios e impõem uma rotina marcada por tiroteios e medo.
Os dados do levantamento apontam que o Comando Vermelho é o grupo que detém o controle do maior número de territórios, dominando 1.036 comunidades no estado. Em seguida, o Terceiro Comando Puro (TCP) controla 340 pontos, e a Milícia atua sobre 229 áreas. A facção Amigos dos Amigos (ADA) é responsável pela influência em 43 comunidades.
Os números são dinâmicos e alteram-se com frequência em função das disputas territoriais entre os grupos. O relatório da inteligência da PM é o documento que embasa essa análise de distribuição territorial.
Expansão de Atividades Econômicas
A expansão do crime organizado se dá também na diversificação das atividades econômicas. Como explica o repórter Ádison Ramos, o tráfico de drogas corresponde hoje a apenas 15% do faturamento dessas facções.
Com o controle territorial, os criminosos passam a explorar a venda de produtos e a prestação de serviços essenciais, como água, luz e gás nas regiões dominadas, uma tática antes mais restrita à atuação das milícias. Essa diversificação representa um modelo de negócio mais amplo, consolidando o poder das facções sobre a economia local das comunidades.
Em um dos maiores confrontos recentes para tentar frear a expansão do Comando Vermelho no Rio de Janeiro, 117 suspeitos morreram, além de quatro policiais. A operação e suas consequências estão sob análise do Judiciário.
Hoje, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, determinou que o governo do estado preserve as imagens das câmeras corporais dos agentes de segurança que participaram do confronto. Moraes também solicitou o relatório de inteligência da PM que subsidiou o planejamento da operação. Além disso, o ministro suspendeu o inquérito de fraude processual que investigava a retirada dos corpos da área de mata onde o confronto ocorreu.
Fique bem informado!
Receba gratuitamente as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail
Escolha quais newsletters quer receber
