Jornal da Noite

Fernando Schüler analisa cerco a Moraes: “Passou do tempo das explicações”

Para o cientista político, o desgaste do STF continuará ao longo do período eleitoral caso órgãos de Estado não investiguem o "Caso Master" com transparência

Por Redação
REDAÇÃO

09/03/2026 • 23:55 • Atualizado em 09/03/2026 • 23:55

Fernando Schüler

O cenário político em Brasília tem sido fortemente mobilizado pelos desdobramentos do chamado "Caso Master", que envolve a relação entre o empresário Daniel Vorcaro e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.

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Em recente análise sobre a conjuntura política, o cientista político Fernando Schüler avaliou as movimentações no Congresso Nacional e alertou para o grave desgaste institucional que a Suprema Corte enfrenta.

Segundo Schüler, a pressão sobre o ministro se materializou recentemente em duas frentes distintas no Congresso Nacional. A primeira delas foi a ida do governador de Minas Gerais, Romeu Zema, a Brasília. Representando o partido Novo, Zema protocolou um pedido de impeachment contra Alexandre de Moraes.

Na avaliação de Schüler, embora o Novo seja uma legenda minoritária na Casa — o que reduz as chances práticas de avanço do processo —, a ação possui um forte peso institucional. "Possivelmente tem um efeito mais simbólico, mais político, mas ganhou uma certa mídia. Afinal de contas, é a manifestação de um governador de um estado importante", pontuou.

A CPI e o precedente do próprio STF

A segunda frente de mobilização apontada pelo analista ocorre no Senado Federal, onde parlamentares buscam assinaturas para instaurar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) com o objetivo de investigar as ações de Moraes.

Schüler reconhece a dificuldade histórica e política de se alcançar o número necessário de assinaturas para abrir uma investigação contra um membro do STF. No entanto, ele resgata um precedente recente da própria Corte que pode influenciar o cenário atual. O analista relembrou o ano de 2021, quando o STF, a partir de uma decisão do ministro Luís Roberto Barroso, determinou a instalação da CPI da Pandemia no Senado, garantindo o direito da minoria parlamentar de investigar o governo, mesmo contra a vontade da maioria.

"Não imagino que o Tribunal Federal terá a mesma atitude agora, caso haja uma forte minoria favorável à abertura da CPI", ponderou Schüler, questionando implicitamente se a Corte manterá a mesma jurisprudência quando o alvo da investigação é um de seus próprios pares.

Investigação de Estado

Para concluir sua análise, Fernando Schüler foi categórico ao afirmar que o atual momento político exige ações concretas das instituições, e não apenas notas à imprensa.

"Já se passou do tempo das declarações, das explicações dadas pelo ministro ou pela sua esposa. O que o país demanda neste momento é uma investigação independente, feita por órgãos de Estado, acerca desse tema como um todo", defendeu.

O especialista alerta que a falta de transparência e de uma investigação oficial para esclarecer os fatos "a bem da República" terá um custo alto. Caso o impasse permaneça e os órgãos de controle recuem, Schüler prevê que o Brasil atravessará todo o período eleitoral com o fantasma dessa crise, resultando em um "enorme desgaste da Suprema Corte" perante a opinião pública.

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