Em sua análise semanal, o cientista político Fernando Schüler avaliou a recente promulgação do Projeto de Lei da Dosimetria pelo presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre. Para Schüler, a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de não assinar o projeto e optar pelo confronto jurídico sinaliza a manutenção da polarização política em detrimento de um processo de pacificação nacional.
Schüler argumenta que o PL da Dosimetria poderia ter sido o "gesto simbólico" que o país necessita para reduzir as tensões sociais e políticas. "O presidente Lula falou muito sobre pacificação, reencontro e reconstrução do país durante sua campanha", relembrou o analista. No entanto, ao deixar de sancionar a proposta, Lula teria desperdiçado uma chance real de praticar esse discurso.
Segundo o analista, o Governo Federal e o PT optaram por questionar o projeto no Supremo Tribunal Federal (STF), mantendo uma retórica de "defesa da democracia" que, na prática, serve para alimentar a disputa eleitoral. Para Schüller, a prioridade do governo parece ser a preservação da polarização, especialmente tendo como alvo figuras da oposição, como o senador Flávio Bolsonaro.
Justiça vs. Punição Exemplar
Um dos pontos da análise de Schüler diz respeito à proporcionalidade das penas aplicadas aos réus dos atos de 8 de janeiro. Ele citou exemplos que considera desproporcionais e que poderiam ser revistos sob a ótica da nova lei:
- Doadores de "Vakinha": Pessoas que contribuíram com valores baixos (como R$ 500,00 via Pix) e foram condenadas a 14 anos de prisão.
- O Caso do Batom: A mulher que escreveu "Perdeu, mané" em uma estátua com batom, também sentenciada a 14 anos.
"Não se trata apenas de política, mas de um gesto de justiça com pessoas que tiveram condutas menores comparadas às penas altíssimas que receberam", afirmou Schüller.
Reflexo para o País
Ao encerrar, o cientista político lamentou o que chamou de "oportunidade perdida" pelo país. Na sua visão, ao escolher o caminho do STF para barrar ou limitar o alcance do projeto, o governo reforça um ciclo de judicialização e conflito que impede o Brasil de virar a página e buscar um terreno comum para o debate democrático.
"Perdeu-se uma grande oportunidade de reencontro", concluiu Schüler, destacando que a pacificação exige coragem política para além dos interesses partidários imediatos.
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