Em uma análise contundente sobre o cenário econômico brasileiro, Fernando Schüler destacou o que considera uma trajetória preocupante da política fiscal do atual governo. Segundo o analista, a gestão federal tem apostado em uma política de expansão de gastos que deve atingir a marca de 20% de crescimento ao longo de quatro anos.
Para efeito de comparação, Schüler lembrou que, nos oito anos anteriores, o aumento real dos gastos públicos ficou em torno de 8%. De acordo com o especialista, essa pressão fiscal tem consequências diretas na macroeconomia, elevando as taxas de juros e gerando um forte desequilíbrio nas contas públicas.
O "Remendo" do Desenrola 2.0
Para Schüler, em vez de enfrentar o problema estrutural do gasto público, o governo tem recorrido a medidas que ele classifica como "populistas de curto prazo". O principal alvo da crítica foi o lançamento do programa Desenrola 2.0.
"O governo vai ao mercado, toma crédito, os juros vão às nuvens e isso agrava o endividamento das famílias", explicou Schüler. Segundo ele, o Desenrola 2.0 utiliza dinheiro público para financiar o Fundo de Operações do Banco do Brasil, servindo como garantidor para a renegociação e até o perdão de dívidas de cartões de crédito e cheques especiais junto a bancos e fintechs.
FGTS e o "Vício" em Soluções de Curto Prazo
O analista também comentou a possibilidade de liberação de até 20% do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para a quitação de dívidas, incluindo débitos estudantis do FIES. Schüler observou que essa prática não é exclusividade da atual gestão — lembrando que o governo anterior também utilizou expedientes semelhantes com o FIES —, mas reiterou que isso reflete uma falha sistêmica no Brasil.
"O Brasil é um país viciado em soluções populistas de curto prazo às vésperas das eleições", afirmou. Para Schüler, o foco governamental deveria estar na redução sustentável da taxa de juros através de reformas estruturais no controle de gastos, e não em "remendos" no período pré-eleitoral que, embora tragam alívio imediato, podem comprometer a estabilidade econômica futura.
Fique bem informado!
Receba gratuitamente as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail
Escolha quais newsletters quer receber


