Em um discurso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva definiu o ato de governar como um exercício constante de "fazer escolhas" e defendeu que a principal decisão de um líder é para quem ele irá governar. A declaração foi feita na Malásia, durante pronunciamento ao lado do primeiro-ministro Anwar Ibrahim.
"Governar é decidir para quem que você quer governar, de que lado você está", afirmou Lula, ressaltando a importância de um governante não esquecer suas origens. Para o presidente, a chave para uma boa liderança é "saber de onde você veio e saber para onde você vai voltar", mantendo-se fiel ao seu "berço" e às suas convicções.
Lula traçou uma distinção clara entre dois modelos de liderança. "Uma das escolhas que a gente tem que fazer é se a gente quer ser um líder respeitado ou temido", pontuou. "O líder respeitado, ele pode ser amado pelo seu povo. O líder temido, ele pode ser odiado pelo seu povo".
Em um dos momentos mais incisivos de sua fala, o presidente brasileiro criticou a passividade da comunidade internacional diante de conflitos prolongados. "Quem é que se conforma com a duração da guerra entre a Ucrânia e a Rússia? Quem é que pode se conformar com o genocídio impetrado na Faixa de Gaza?", questionou.
Lula condenou não apenas a violência armada, mas também o uso da fome como arma de guerra, classificando-o como uma forma de "tortura". Segundo ele, a aceitação de tais atrocidades como algo normal representa uma perda da essência humana. "Quando nós aceitamos isso como normal, nós não estamos sendo seres humanos. Estamos sendo outra coisa", concluiu.
Para o presidente, cuidar das populações mais vulneráveis não é apenas uma escolha política, mas "quase uma obrigação bíblica, um mandamento de Deus", reforçando que essa deve ser a missão central de qualquer governo.
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