Jornal da Noite

Governo anuncia pacote de R$ 300 milhões para socorrer produtores de arroz

Queda no preço da saca atinge o menor valor em 14 anos, forçando arrozeiros do Sul a reduzirem custos; plano inclui leilões e estoques públicos

GABRIELA LERINA

23/10/2025 • 01:03 • Atualizado em 23/10/2025 • 01:03

Arroz

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Canva

O Governo Federal anuncia nesta quarta-feira (22) um plano de ajuda emergencial para os produtores de arroz do Sul do país, afetados pela queda acentuada nos preços que, segundo o setor, não cobre os custos de plantio e colheita. O investimento total é de R$ 300 milhões e tem como foco o escoamento de 630 mil toneladas do grão.

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A crise de preços atinge o setor com força, especialmente para produtores como Eliton Monteiro Gonçalves, arrozeiro da Grande Porto Alegre que segue a tradição familiar na lavoura. Gonçalves desabafa que o prejuízo é inevitável com o cenário atual.

"Não ficar no prejuízo, acho que não tem como, né? O prejuízo vai ser certo. O que vai ser obrigado a fazer é vou ter que diminuir os custos: insumo, adubação, os fertilizantes, vai ser tudo cortado", afirma o produtor.

Segundo dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), em outubro, o preço médio pago aos produtores pela saca de arroz atinge o patamar de R$ 57, o menor valor registrado desde setembro de 2011. A situação é agravada pela entrada do grão produzido nos países vizinhos do Mercosul, o que aumenta a competição no mercado interno brasileiro.

Medidas da Conab para o Setor

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) é a responsável por anunciar as medidas do plano, que visa garantir a renda mínima ao produtor. A reportagem, com passagem de Gabriela Lerina em Eldorado do Sul, detalha que o plano se aplica a toda a Região Sul do país e beneficia tanto grandes quanto pequenos produtores.

Entre as ações, o Governo Federal inclui a realização de leilões para assegurar a manutenção de um preço mínimo de referência ao produtor. Além disso, a Conab planeja a aquisição de 130 mil toneladas de arroz, destinadas à formação de estoques públicos.

Outra medida é o incentivo direcionado a indústrias e comércios, que recebem apoio para comprar a produção dos agricultores pelo preço mínimo estipulado.

Edegar Pretto, presidente da Conab, ressalta que a ação não beneficia apenas os produtores, mas também os consumidores em outros estados, "garantindo um preço mais acessível" do cereal.

Apesar da importância do pacote, Anderson Beloli, diretor executivo-jurídico da Federarroz (Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul), avalia o plano como um auxílio crucial, mas insuficiente para resolver a totalidade da crise. "Ele não resolve o problema, tamanha dramaticidade que nós enfrentamos aqui no estado, mas ele vem no momento que ajuda bastante, porque o cenário realmente é muito preocupante", comenta Beloli.

Apesar da desvalorização para os produtores, o preço do arroz no mercado para o consumidor registra queda no ano. Um levantamento aponta que o pacote de 5 quilos custa em média R$ 16 em seis capitais brasileiras. De acordo com o IBGE, o preço do arroz no varejo baixa 20% neste ano.

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