Saúde

Médicos do RS denunciam agressões e falta de segurança em hospitais

Mais de 450 registros de violência contra profissionais foram contabilizados no estado desde 2019; rotina reflete gargalos da saúde pública

2 min

23/07/2026 01:04 • Atualizado há 94 dias

Médicos do RS denunciam agressões e falta de segurança em hospitais

Profissionais da medicina no Rio Grande do Sul vêm expondo uma rotina marcada por agressões, ameaças e insegurança dentro de unidades de saúde e hospitais. Dados revelam que, desde 2019, foram registradas 452 ocorrências de violência contra médicos no estado — uma média de um caso por semana. Apenas este ano, já são 24 notificações, lideradas por episódios de ameaça, difamação, calúnia e lesão corporal.

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A escalada da violência atinge tanto o atendimento prestado por agentes de segurança privada e municipal quanto a reação de pacientes e acompanhantes diante das filas e do tempo de espera nos prontos-socorros.

Relatos de violência física no Vale do Sinos e no Litoral Norte

Um dos casos mais graves ocorreu em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) no Vale do Sinos, em março. O médico Ruben Júnior foi imobilizado por um guarda municipal após uma discussão motivada pela alta demanda de pacientes — mais de 50 pessoas aguardavam por atendimento na ocasião.

Segundo o relato do profissional, a confusão começou quando ele tentou intervir em um desentendimento entre uma médica de plantão e o agente de segurança. O guarda acabou correndo atrás do médico, derrubando-o nas escadas e imobilizando-o. Em decorrência das agressões, o médico sofreu fratura em quatro costelas, perdeu a sensibilidade em parte da mão direita e precisou se afastar das atividades profissionais por mais de um mês.

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Após pedido do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers) ao Ministério Público, o guarda municipal foi remanejado de posto, e a conduta é investigada pela corregedoria da corporação.

Mais recentemente, no Hospital São Vicente de Paulo, em Osório, a Brigada Militar precisou ser acionada na emergência. Agressões verbais e físicas contra médicos, enfermeiros e funcionários foram registradas após familiares receberem a notícia da morte de uma criança de quatro meses. A administração do hospital informou que adotará todas as medidas cabíveis para apurar os fatos e garantir a proteção dos trabalhadores.

Sobrecarga e o "para-choque" do sistema

Representantes da categoria alertam que os médicos acabam funcionando como o "para-choque" de um sistema de saúde sobrecarregado. A falta de infraestrutura nas UPAs e a escassez de profissionais geram demoras prolongadas, criando um ambiente de tensão que frequentemente deságua em agressões físicas e verbais contra quem está no atendimento de ponta.

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