Jornal da Noite

Motorista que atropelou e matou ciclista em São Paulo é condenado a 13 anos de prisão

A maioria dos sete jurados considerou que o empresário assumiu o risco de matar a vítima ao beber e dirigir em alta velocidade

TIAGO PRUDENTE

24/01/2025 • 01:16 • Atualizado em 24/01/2025 • 01:16

O réu José Maria da Costa Júnior foi condenado a 13 anos de prisão por atropelar e matar a ciclista Marina Harkot, de 28 anos, em novembro de 2020, na zona oeste da capital paulista. Ela voltava de bicicleta para casa quando foi atingida pelo carro dirigido por José Maria.

Compartilhar

A maioria dos sete jurados considerou que o empresário assumiu o risco de matar a vítima ao beber e dirigir em alta velocidade.

Ele ainda fugiu sem prestar socorro. O empresário poderá recorrer solto da sentença. O julgamento ocorreu no Fórum Criminal da Barra Funda, na Zona Oeste.

Relembre o caso

Cicloativista e pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP), Marina foi atingida enquanto trafegava de bicicleta pela Avenida Paulo VI às 0h17 de 8 de novembro de 2020. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) chegou a ser acionado por uma policial de folga que circulava pelo local e presenciou o atropelamento, mas a jovem morreu no local.

A identificação do carro foi possível graças à policial testemunha, que anotou a placa do veículo. Depois, a polícia confirmou por meio de câmeras que aquele veículo circulava pela região no horário do ocorrido.

A Polícia Civil afirmou na época também que, após fugir do local sem prestar socorro, José Maria da Costa Júnior abandonou o veículo no centro da capital paulista. Ele se apresentou no 14.º Distrito Policial (Pinheiros) somente na tarde de 10 de outubro de 2020, mais de 48 horas após o atropelamento.

Em entrevista à TV Globo dias após o ocorrido, Costa Júnior disse que "não tinha noção da complexidade" do que tinha ocorrido e de que "alguém pudesse estar ali, que pudesse estar machucado".

Segundo a policial que presenciou o atropelamento, havia boa iluminação e "com certeza, ele (Costa Júnior) viu a Marina".

A avenida em que Marina foi atropelada tem quatro faixas e a socióloga estaria pedalando na última, perto do parapeito, de acordo com a investigação. Na via, a velocidade máxima permitida é de 50 km/h.

Descrita como uma pesquisadora brilhante e sorridente, Marina concluiu a graduação e o mestrado na USP, onde também era pesquisadora colaboradora, pelo LabCidade, e cursava o doutorado na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAUUSP). Na academia, se tornou referência por reunir dados sobre gênero e mobilidade por bicicleta.

*Com informações do Estadão Conteúdo

Tópicos relacionados