Uma ambulância com sirene e giroflex ligados ficou retida em um cruzamento no bairro Batel, em Curitiba. O episódio, registrado por testemunhas na esquina das ruas Bento Viana e Silva Jardim, acendeu um alerta sobre o comportamento de condutores diante de veículos de socorro: por medo de serem autuados por radares de avanço de sinal, motoristas mantiveram seus carros imóveis, impedindo a passagem da unidade de emergência.
Imagens do local mostram que, enquanto um caminhão na pista central tentou abrir espaço, os veículos na faixa da esquerda permaneceram parados diante do semáforo fechado. Este é o segundo caso semelhante com repercussão na capital paranaense apenas este ano, levantando dúvidas sobre a legislação de trânsito em situações críticas.
O que diz a lei e como o motorista deve agir
De acordo com o Detran do Paraná, em casos de veículos de emergência em atendimento (com sinais sonoros e luminosos acionados), o condutor tem a obrigação de realizar a manobra necessária para liberar a passagem. O especialista em trânsito Mauro Gil reforça que a omissão em dar passagem pode, inclusive, resultar em multa para o motorista que travar o fluxo.
O Batalhão de Trânsito da Polícia Militar do Paraná (PMPR) orienta que a prioridade deve ser sempre a vida. Segundo o tenente Guimarães, em situações extremas, é permitido subir levemente na calçada ou avançar a linha do radar para abrir caminho. "É essencial dar passagem. Se você parar deixando um espaço estratégico antes do sinaleiro, consegue realizar a manobra sem necessariamente cometer uma infração que gere autuação automática", explica o tenente.
Como recorrer em caso de autuação
Caso o motorista avance o sinal para liberar uma ambulância e acabe recebendo uma notificação de infração, o Detran-PR orienta que é possível recorrer. O especialista Mauro Gil detalha que o condutor deve apresentar o recurso indicando a situação de emergência que motivou a manobra. Geralmente, os registros de horário da ambulância e as imagens das câmeras de monitoramento servem como prova para anular a penalidade.
Para os especialistas, o caso reforça a necessidade de maior consciência e responsabilidade no trânsito. "As pessoas precisam entender que não são apenas motoristas; elas têm uma responsabilidade social. Sentir medo da multa não pode ser maior do que o dever de ajudar a salvar uma vida", conclui Mauro Gil.
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