
Megaoperação policial no Rio
Aline Massuca/Reuters
A megaoperação policial que deixou 64 mortos no Rio de Janeiro foi "malsucedida". A avaliação contundente é do Coronel da reserva Robson Rodrigues, ex-chefe do Estado Maior da Polícia Militar do Rio, em entrevista ao Jornal da Noite.
"A considerar os números, os resultados preliminares, a gente entende que a operação foi malsucedida. A gente não tem precedentes, pelo menos na história recente, de operações de tamanho letalidade, inclusive uma operação onde quatro policiais foram mortos", declarou o coronel.
Questionado sobre a complexidade de atuar nos Complexos do Alemão e da Penha, Rodrigues classificou as áreas como "estratégicas" e "ambientes propícios" para a criminalidade. Ele explicou que essas organizações criminosas, tanto o tráfico quanto a milícia, têm os territórios como seus principais "ativos" e precisam de um fluxo constante de armas, munições e drogas para manter seu domínio violento.
A localização geográfica, segundo ele, é um fator crucial. "Você tem três vias expressas importantíssimas para o estado. Dali, você consegue chegar rapidamente a qualquer lugar da cidade e do estado", explicou, destacando a vantagem logística que a região oferece para a distribuição de drogas e armas.
O coronel também apontou que o problema extrapolou as fronteiras locais, tornando-se uma questão internacional. "É uma região portuária. A gente não está falando só do varejo das drogas, mas também de um tráfico transnacional que se transformou nos últimos anos", disse, citando o aumento da demanda do mercado consumidor europeu como um dos fatores que alimentam essas redes criminosas.
Para Robson Rodrigues, a solução para a crise de segurança do Rio de Janeiro exige uma mudança de paradigma. Ele criticou as estratégias atuais como "superficiais, anacrônicas e simples" diante da complexidade do problema, e defendeu uma maior integração entre todas as esferas de poder.
"Isso sempre foi colocado pelos especialistas: é para ontem isso. Precisa de uma integração. O crime se transnacionalizou, é preciso acordos bilaterais aqui no Cone Sul. Isso não é o governo estadual que vai resolver", afirmou, ressaltando que o estado não pode enfraquecer os criminosos sozinho. Para ele, antes de realizar operações de grande monta, é necessário asfixiar as facções, colocando-as em uma "situação adversa, não confortável", para que não possam ditar as regras e causar pânico na população.
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