Uma nova fase da Operação Rastreio resultou na prisão de mais de 30 pessoas e na recuperação de milhares de aparelhos eletrônicos em uma ação que abrangeu 11 estados brasileiros. A força-tarefa cumpriu mais de 130 mandados de busca e apreensão contra indivíduos suspeitos de envolvimento em uma vasta rede nacional de receptação de celulares roubados e furtados.
A operação é o resultado de uma intensa investigação que teve início em maio deste ano. Os alvos da polícia são os receptadores que davam uma aparência de legalidade aos telefones subtraídos e os revendiam no mercado a preços consideravelmente abaixo do valor de custo. A polícia conseguiu mapear a capilaridade da rede que atua em diferentes estados, evidenciando a dimensão nacional do esquema.
O Guru do Desbloqueio e a Venda de Cursos Clandestinos
O sucesso da Operação Rastreio deve-se à identificação e ao mapeamento de uma complexa rede criminosa especializada no desbloqueio remoto de aparelhos. Esta estrutura conseguia burlar os sistemas de segurança e reinserir os dispositivos na cadeia de consumo.
A investigação inicial, que precede esta nova fase com mais de 30 prisões, levou à detenção de um homem apontado como o "guru" do esquema, Alan Gonçalves. Alan Gonçalves era o responsável por desenvolver e comercializar cursos pela internet, ensinando de forma remota como desativar os sistemas de rastreio e remover o IMEI (sigla em inglês para International Mobile Equipment Identity), que é o número de identificação exclusivo de cada celular.
Ao manipular e remover o IMEI, o criminoso consegue retirar o aparelho da lista de celulares irregulares e bloqueados mantida pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), conferindo ao dispositivo uma falsa legalidade para revenda. A polícia agora concentra esforços para derrubar as plataformas digitais clandestinas que exibem e comercializam essas aulas.
O secretário de Segurança Pública, Victor Santos, ressalta o grave dano que a reativação desses dispositivos causa à população, que ultrapassa a perda material. "Um aparelho desse reaberto pelo criminoso, ele consegue fazer transações financeiras, saber da sua rede de contatos, rede sociais, isso causa um transtorno, um terror muito grande," afirma Santos, destacando o risco de golpes e o acesso a dados pessoais das vítimas que têm seus aparelhos roubados.
Desde o seu início, a Operação Rastreio apresenta resultados significativos no combate a este tipo de crime, com um saldo de prisões e recuperações em todo o território nacional. No total, as ações já permitiram a recuperação de mais de 10 mil aparelhos celulares.
O trabalho investigativo e ostensivo resultou na prisão de cerca de setecentas pessoas envolvidas no esquema em todo o país, e 1.800 celulares foram restituídos aos seus respectivos donos. O prosseguimento da operação visa descapitalizar as quadrilhas e desmantelar a infraestrutura de suporte técnico que viabiliza a receptação em larga escala.
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