A oposição na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) protocolou, nesta quarta-feira (11), um pedido junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que o governador Ibaneis Rocha (MDB) seja investigado. O pivô da denúncia é um contrato de R$ 38 milhões firmado pelo escritório de advocacia particular da família do governador com o Fundo Reag, em maio de 2024, para a intermediação de venda de precatórios.
O Fundo Reag está no centro de duas frentes de investigação da Polícia Federal:
- Esquema Banco Master: A empresa é suspeita de participar do desvio de recursos bilionários na instituição financeira de Daniel Vorcaro.
- Lavagem de Dinheiro do PCC: A PF aponta que a Reag geriu fundos de investimento utilizados pela facção criminosa Primeiro Comando da Capital para branquear capitais.
Conexão com o BRB e o Banco Master
O acordo milionário do escritório de Ibaneis foi firmado simultaneamente ao processo de negociação entre o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master. Na ocasião, o BRB injetou quase R$ 17 bilhões na transação, uma operação que acabou suspensa pelo Banco Central (BC) após a detecção de indícios de graves fraudes financeiras.
Atualmente, o banco estatal brasiliense tenta reaver judicialmente os valores bilionários aplicados na tratativa, enquanto órgãos de controle analisam se o contrato do escritório particular foi usado como "pedágio" ou influência política para viabilizar o negócio público.
O que diz o Governador
Em nota, Ibaneis Rocha negou qualquer irregularidade ou participação direta no caso. O governador sustenta que:
- Afastamento: Não participa das decisões administrativas ou jurídicas do escritório desde 2018, quando se licenciou para assumir o governo do DF.
- Desconhecimento: Por estar afastado, afirma não ter tido conhecimento dos contratos firmados com o Fundo Reag.
- Legalidade: O escritório da família declarou que as atividades são lícitas e que todos os serviços de advocacia foram devidamente prestados e registrados.
O pedido de investigação agora aguarda a relatoria no STF para decidir se haverá abertura de inquérito ou se o caso será encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR).
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