Jornal da Noite

Pais denunciam agressões de professora em escola Militar no RS

Família instalou um gravador na mochila do filho de três anos após notar comportamentos estranhos e marcas físicas na criança; caso é investigado

JOÃO GABRIEL PEZZINO

27/06/2026 • 00:44 • Atualizado em 27/06/2026 • 00:47

Uma família de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, formalizou uma denúncia contra uma escola de educação infantil gerida pela Brigada Militar por suspeita de maus-tratos e negligência. O caso, que envolve áudios de agressões verbais, veio à tona após os pais de uma criança de três anos decidirem investigar, por conta própria, o que ocorria dentro da sala de aula.

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Shaiane, mãe do menino, afirma ter notado comportamentos incomuns do filho, como irritação, medo e receio, que não faziam parte da rotina da criança há cerca de seis meses. Além das mudanças comportamentais, o menino chegou a retornar para casa com assaduras graves que dificultavam a locomoção, sem que a escola fornecesse qualquer comunicado ou explicação aos responsáveis.

Provas obtidas por gravação

Diante da falta de respostas satisfatórias por parte da coordenação da Escola de Educação Infantil Tio Chico, o casal decidiu instalar um gravador escondido dentro da mochila do filho. O dispositivo registrou, em apenas um dia de aula, dezenas de episódios de agressões verbais cometidas por uma professora da instituição.

Nos áudios, é possível ouvir a docente ameaçando dar um tiro no menino. Em outro registro, a professora ordena que uma aluna bata na criança. A gravação também capta os momentos em que o menino, amedrontado, pede desculpas repetidamente.

Investigação sob questionamento

Após a denúncia formalizada pelos pais, a Corregedoria da Brigada Militar instaurou um Inquérito Policial Militar (IPM) para analisar as condutas praticadas dentro da instituição. Contudo, o procedimento foi arquivado sob a conclusão de que não haveria indícios de crimes ou transgressões disciplinares no âmbito da unidade de ensino.

Inconformada com o resultado da apuração interna, a família encaminhou o caso ao Ministério Público do Rio Grande do Sul. O casal segue buscando medidas mais rigorosas e cobra uma apuração detalhada sobre as condutas adotadas dentro da sala de aula, argumentando que a negligência relatada pela coordenação colocou a integridade física e psicológica da criança em risco.