Jornal da Noite

Perícia aponta violência e investigação sobre morte de PM em SP é ampliada

Caso, inicialmente registrado como suicídio, passou a ser tratado como morte suspeita após laudos apontarem marcas de agressão no corpo da soldado da PM

JULIA SARMENTO

12/03/2026 • 22:32 • Atualizado em 12/03/2026 • 22:32

A investigação sobre a morte de Gisele Neto, esposa do tenente-coronel da Polícia Militar de São Paulo, Geraldo Neto, entrou no seu 23º dia com desdobramentos significativos. Policiais do 8º Distrito Policial e representantes da Corregedoria da PM realizaram reuniões para alinhar diligências, resultando na apreensão de dois aparelhos celulares do oficial e um da vítima para perícia técnica.

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O caso ocorreu no dia 18 de fevereiro, quando Geraldo Neto acionou a corporação às 7h57, relatando que a esposa havia cometido suicídio com um disparo na cabeça. Embora o registro inicial tenha seguido essa linha, a natureza da investigação foi alterada para "morte suspeita" após a divulgação de exames periciais.

Laudos apontam marcas de violência e exumação é autorizada

O primeiro laudo do Instituto Médico Legal (IML) revelou evidências que contradizem a versão inicial de suicídio. Os peritos identificaram marcas no rosto e no pescoço de Gisele, compatíveis com pressão exercida pelos dedos das mãos e escoriações por unhas. Um laudo complementar, emitido em 7 de março, reafirmou a presença dessas lesões. Diante das incertezas e da gravidade dos indícios, a Justiça autorizou a exumação do corpo para uma análise detalhada.

Outro ponto central do inquérito é a preservação da cena do crime. Segundo informações, o comportamento do tenente-coronel após a morte levanta questionamentos. Mesmo sem autorização dos policiais que atendiam a ocorrência, Geraldo Neto entrou no apartamento e tomou banho antes de se dirigir à delegacia, o que pode ter comprometido a coleta de provas biológicas.

Limpeza do apartamento e imagens de segurança

Câmeras de segurança do corredor do prédio registraram movimentações atípicas no imóvel. As imagens mostram três policiais militares chegando ao apartamento por volta das 18h do dia da morte. Elas permaneceram no local por cerca de 50 minutos realizando a limpeza do imóvel.

A Polícia Militar sustenta que o apartamento já havia sido liberado pela perícia técnica horas antes da entrada das agentes, mas a ação é analisada pela Corregedoria para verificar se houve qualquer interferência na integridade das evidências. Depoimentos de testemunhas e vizinhos seguem sendo colhidos para remontar a cronologia dos fatos naquela manhã de fevereiro.