
Polícia desarticula golpe do falso advogado no Distrito Federal e São Paulo
Divulgação/Polícia Civil SP
Uma operação conjunta das polícias do Distrito Federal e de São Paulo desarticulou uma quadrilha especializada no chamado golpe do "falso advogado". A ação desta terça-feira (4) visa prender os envolvidos e bloquear bens para ressarcir as vítimas, que já somam um prejuízo de R$ 1,4 milhão somente no Distrito Federal no primeiro semestre do ano.
Foram cumpridos 10 mandados de prisão e 13 de busca e apreensão. A Justiça também autorizou o bloqueio de contas e a apreensão de dinheiro e carros de luxo dos suspeitos. O objetivo é que esses bens sejam utilizados para compensar as pessoas que caíram no golpe.
O esquema, embora não seja novo, continua fazendo vítimas. O modo de operação envolve o contato com a vítima, frequentemente por meio de aplicativos de mensagens como o WhatsApp. Os criminosos informam que a pessoa tem uma "causa ganha na Justiça" e que, para receber o valor, é necessário pagar um boleto com urgência, alegando se tratar de custas ou taxas judiciais.
O advogado Alfredo Carneiro explica que a sofisticação do golpe reside na capacidade dos criminosos de acessar informações processuais legítimas. "Um advogado, envolvido com criminosos, conseguiu baixar a íntegra do processo e é por isso que ele consegue dar credibilidade para aquele golpe", ressalta.
O morador Gilberto Alves relata ter sido alvo da ação. Ele recebeu a notificação pelo WhatsApp, que trazia até a foto de seu advogado. Contudo, Gilberto percebeu a tempo que se tratava de um golpe e conseguiu cancelar o pagamento do boleto.
A investigação aponta que 30 ocorrências foram registradas apenas no primeiro semestre no Distrito Federal.
Autoridades e OAB adotam medidas de segurança contra fraudes
As autoridades de segurança e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) trabalham para coibir esse tipo de fraude. Paulo Maurício Siqueira, presidente da OAB no Distrito Federal, afirma que a entidade atua para reforçar a segurança das informações.
"Estamos trabalhando para restringir o acesso aos dados, controlar melhor o acesso aos processos e com isso combater essa fraude que tinha atingido a todos e todas", explica Siqueira.
No âmbito da Justiça, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinou que os tribunais de todo o país adotem medidas adicionais para a segurança dos dados. Uma segunda etapa de verificação de identidade no acesso aos processos passa a ser obrigatória. O objetivo é dificultar que pessoas não autorizadas consigam obter informações detalhadas sobre as ações judiciais.
A orientação fundamental das autoridades é que as vítimas entrem em contato diretamente com seus advogados de confiança antes de efetuarem qualquer pagamento solicitado por e-mail, telefone ou mensagem de aplicativo. O pagamento de custas ou valores processuais não é realizado por meio de boletos avulsos enviados por advogados.
A reportagem veiculada no Jornal da Noite ressalta a importância da checagem imediata de qualquer solicitação financeira relacionada a processos judiciais para evitar prejuízos.
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