Jornal da Noite

Primeiro brasileiro de flotilha humanitária interceptada em Gaza desembarca no RJ

Nicolas Calabrese, integrante da delegação brasileira, detalha interceptação "violenta" por militares israelenses; 13 brasileiros permanecem detidos desde 1º de outubro

ÁDISON RAMOS

07/10/2025 • 00:44 • Atualizado em 07/10/2025 • 00:44

O primeiro integrante da delegação brasileira da Flotilha Humanitária, interceptada por Israel a caminho de Gaza, desembarcou no Rio de Janeiro na noite desta segunda-feira (6). O militante Nicolas Calabrese chegou por volta das 20h30 no Aeroporto Internacional do Galeão e foi recebido por amigos, ativistas e parlamentares, conforme apuração de Ádison Ramos.

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Calabrese permaneceu três dias preso após a embarcação em que estava ser interceptada pelo Exército de Israel em 1º de outubro. Ao desembarcar, ele detalhou a abordagem das forças israelenses.

Nicolas Calabrese descreveu a interceptação como "completamente violenta". "Com fuzis, mais de 15 soldados da Marinha israelense abordando e entrando nos nossos navios, apontando pra gente com os fuzis, armas, armas até os dentes e com os rostos cobertos", relata o ativista.

Relato de violência e detenção

O integrante da flotilha relata que, após a interceptação, os detidos foram mantidos por mais de 15 horas sem refeição, apenas com água e "alguns biscoitos" que eram de propriedade da tripulação.

Ele também denunciou o tratamento recebido ao chegarem ao porto israelense. "Quando chegamos no porto Israel a gente foi violentado fisicamente constantemente, empurrado, chutado, arrancaram nossos pertences, pulseiras", afirma Calabrese. Ele acrescenta que, "quem quisesse falar alguma coisa, o companheiro era deixado no sol ajoelhado".

Outras 13 pessoas que faziam parte da delegação brasileira na flotilha humanitária continuam presas em Israel. Entre os detidos estão o documentarista Miguel Viveiros de Castro, a deputada Federal Luizianne Lins (PT) e a vereadora do PSOL Gabriele Tolotti.

A flotilha, que levava ajuda humanitária a Gaza, foi abordada em águas internacionais, gerando protestos e apelos diplomáticos pela libertação imediata dos detidos. A delegação brasileira faz parte de um grupo internacional que tentava quebrar o bloqueio marítimo imposto por Israel à Faixa de Gaza.