
Quadrilha usava Césio-137 para aplicar golpe milionário em Goiás
Reprodução/Jornal da Noite
Uma operação policial em Goiás prendeu cinco suspeitos de integrar um grupo criminoso que utilizava laudos médicos falsos, incluindo a alegação de contaminação pelo Césio-137, para obter a isenção do Imposto de Renda para militares aposentados. Três advogados, um médico e um engenheiro foram presos em Goiânia e na região metropolitana, suspeitos de participar do esquema de fraude documental e estelionato contra a administração pública.
De acordo com a Polícia Civil, a quadrilha beneficiava policiais militares da reserva, alegando que eles teriam desenvolvido doenças graves após terem tido contato com o acidente radioativo do Césio-137, ocorrido em Goiânia em setembro de 1987. Outros laudos falsificados atestavam a infecção pelo vírus HIV. A fraude, que visava benefícios fiscais indevidos, causou um prejuízo que ultrapassa $R\$ 1,7$ milhão aos cofres públicos.
O delegado adjunto Leonardo Dias Pires explica que o valor do desvio é apurado em $R\$ 1,7$ milhão e informa que os militares aposentados, que conseguiam a isenção, pagavam pela contrapartida do serviço aos advogados e demais integrantes do grupo.
Fraude Radioativa e Continuidade da Investigação
A Polícia Civil indica que a fraude envolvia a emissão de laudos falsos para comprovar o contato dos militares da reserva com a substância radioativa ou a infecção pelo vírus HIV. O objetivo era garantir a isenção do Imposto de Renda, um benefício fiscal destinado a pessoas com doenças graves.
As investigações apontam que até 50 militares aposentados podem ter sido beneficiados pelo esquema. A participação desses beneficiários é investigada, e o número de envolvidos na quadrilha pode ser maior.
Esta não é a primeira vez que o grupo está na mira das autoridades. O repórter Leonardo Miguel, de Goiânia, destaca que a ação é uma continuidade da Operação Fraude Radioativa, iniciada em setembro do ano passado. Naquela época, foram cumpridos três mandados de prisão e 11 de busca e apreensão com o objetivo de frear o esquema e evitar perdas maiores para a administração pública.
Os cinco suspeitos presos respondem pelos crimes de falsidade ideológica, falsificação documental, estelionato em desfavor do agente público e associação criminosa. As investigações prosseguem para identificar e localizar outros envolvidos no esquema.
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