Jornal da Noite

Schüler analisa ida de Ronaldo Caiado para o PSD: "Movimento importante"

O cientista político Fernando Schüler analisa a transferência do governador de Goiás para o partido de Gilberto Kassab e o impacto dessa mudança no cenário de polarização política do país

Por Redação
REDAÇÃO

31/01/2026 • 01:12 • Atualizado em 31/01/2026 • 01:12

Fernando Schüler

A política brasileira viveu um momento de reacomodação estratégica nesta semana com a confirmação da transferência do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, do União Brasil para o PSD. Para o cientista político Fernando Schüler, esse movimento vai além de uma simples troca de legendas: ele confere uma "nova consistência" à chamada Terceira Via, em um cenário ainda dominado pela polarização entre esquerda e direita.

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A Busca por uma Alternativa

Segundo Schüler, há muito tempo o eleitorado brasileiro sinaliza o desejo por uma alternativa que consiga dialogar com ambos os lados e unificar o país. No entanto, o analista aponta um paradoxo prático: "Na prática, o que vemos é que as pessoas têm mais desejo de derrotar o outro lado — seja a esquerda ou a direita — do que propriamente uma preferência por essa alternativa mais moderada".

Com a chegada de Caiado, o PSD de Gilberto Kassab consolida um "banco de reservas" de peso para as próximas disputas presidenciais. Agora, o partido conta com três nomes de projeção nacional e potencial de candidatura:

  • Eduardo Leite (Governador do Rio Grande do Sul);
  • Ratinho Júnior (Governador do Paraná);
  • Ronaldo Caiado (Governador de Goiás).

O Risco da 'Cristianização'

Apesar do otimismo em torno do fortalecimento da legenda, Schüler faz um alerta importante sobre a estratégia do PSD. Gilberto Kassab anunciou que o partido terá candidatura própria, mas, ao mesmo tempo, sinalizou que irá liberar os diretórios regionais para apoiarem outras candidaturas conforme as conveniências locais.

Essa dualidade traz à tona o fantasma da "cristianização" — termo político que remete a casos como os de Ulysses Guimarães e Geraldo Alckmin, onde o partido lança um candidato nacional, mas a base nos estados o abandona para apoiar nomes com maior viabilidade eleitoral imediata.

"O partido lança o candidato, mas ele não tem força ou apoio nos estados", explica Schüler. "Isso coloca a Terceira Via em uma posição difícil: ser pautada por um desejo difuso da sociedade e ter um partido grande, mas carecer da unidade e convicção necessárias para sustentar uma campanha nacional contra os polos já estabelecidos."

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