Em sua análise semanal, o cientista político Fernando Schüler classificou como "estranha" e de "natureza política" a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que resultou na troca de relatoria do chamado Caso Master. A semana foi marcada pela transição do processo, que saiu das mãos do ministro Dias Toffoli e passou para o ministro André Mendonça.
Para Schüler , a movimentação da Corte levanta questionamentos sobre a independência do tribunal frente à opinião pública. O analista recordou uma reunião dos ministros, cujo conteúdo vazou para a imprensa, onde teria ficado claro o caráter político da decisão.
Contradições no Supremo
Schüler questionou a lógica por trás da mudança. Segundo ele, se não havia problemas comprovados na conduta de Dias Toffoli ou no relatório da Polícia Federal que comprometessem o ministro, não haveria razão jurídica para sua saída.
"Uma Corte Constitucional, como é o STF no Brasil, jamais deveria se mover a não ser por razões estritamente jurídicas", afirmou Schüler
Ele criticou o fato de o Supremo, que nos últimos anos jactou-se de sua independência e de sua capacidade de tomar decisões impopulares ("duras"), ter cedido neste momento. O cientista político questionou se a mudança foi motivada apenas por pressão do jornalismo ou da opinião pública, citando ironicamente a influência dos "taxistas", em referência ao clamor popular.
O Caminho para a Transparência
Olhando para o futuro do processo, Fernando Schuler sugeriu dois caminhos para assegurar a lisura e a devida investigação do caso:
- Retorno à Primeira Instância: Para o analista, a "melhor decisão" que o novo relator, André Mendonça, poderia tomar seria remeter o processo de volta à primeira instância judiciária.
- Instauração de CPMI: Schuler defendeu ainda que o Congresso Nacional deve instaurar uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI).
"A CPMI deveria ser instaurada para que este caso, de fato, obtenha a transparência e a investigação devida que merece, a bem da nossa democracia", concluiu.
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