O sargento da Polícia Militar Eduardo Abner Pereira de Oliveira, de 37 anos, preso em Belo Horizonte sob a suspeita de matar a esposa, a capitã da Polícia Militar Michele Leão Azevedo, possui um histórico de denúncias por violência doméstica contra pelo menos outras duas mulheres.
O primeiro boletim de ocorrência contra o policial foi registrado em 2014 pelos crimes de lesão corporal e ameaça. Dois anos depois, em 2016, outra vítima prestou queixa contra o militar, solicitou medida protetiva e, posteriormente, denunciou o descumprimento da ordem judicial e novas ameaças. Ambos os processos acabaram arquivados pela Justiça.
Além dos registros de violência doméstica, a ficha do militar indica que ele foi preso em 2023 por suspeita de dirigir sob efeito de álcool — caso também arquivado no ano seguinte.
Histórico de exoneração da corporação
Eduardo Abner chegou a ser exonerado das fileiras da Polícia Militar em 2014. A demissão ocorreu após a corporação identificar que ele havia omitido, durante o processo de ingresso, que foi apreendido na adolescência por porte ilegal de arma de fogo. No entanto, uma decisão judicial garantiu a reintegração do sargento à PM em 2015.
A Polícia Militar reforçou que o ingresso de praças exige a prestação de declarações e documentos e que o processo administrativo à época seguiu os trâmites institucionais antes da ordem judicial de reingresso.
Relatos de agressões e ameaças com faca
Em depoimento prestado à Polícia Civil, a irmã da capitã Michele Leão revelou que a vítima relatava episódios frequentes de agressão física e violência psicológica. Segundo a testemunha, em uma das ocasiões em que a vítima tentou terminar o casamento, o sargento a ameaçou encostando uma faca em suas costas para impedir que saísse da residência do casal.
A capitã Michele Leão morreu em decorrência de múltiplas lesões corporais, incluindo traumatismo craniano. Ela foi transportada pelo próprio marido até uma unidade hospitalar, onde chegou sem vida. A gravidade dos ferimentos levou a equipe médica a acionar os policiais.
Prisão e renúncia da defesa
A prisão em flagrante de Eduardo Abner foi convertida em preventiva. A Polícia Civil conduz o caso com evidências que apontam para o crime de feminicídio. O militar nega as acusações.
O advogado Gustavo Nepomuceno informou que deixou a representação legal do suspeito. O criminalista declarou que não divulgará os motivos da renúncia em respeito ao sigilo profissional e aos deveres éticos da advocacia. O sargento permanece custodiado à disposição da Justiça.
Campanha Band Não Se Cala
O Grupo Bandeirantes lançou nesta semana a campanha "Band Não Se Cala" para reforçar a conscientização e o incentivo às denúncias de agressões, estupros e feminicídios em todo o Brasil. A mobilização pretende engajar a sociedade no acolhimento às vítimas e no enfrentamento da impunidade.
A cada 30 segundos, uma mulher aciona a Polícia Militar para pedir socorro no país. Além disso, as estatísticas indicam o registro de um estupro a cada 6 minutos e um feminicídio a cada 6 horas no Brasil. O quadro expõe uma rotina marcada pelo medo, pela solidão e pelo silêncio das vítimas.
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