Jornal da Noite

‘Tínhamos muito medo de não levar o Oscar para casa’, diz Fernanda Torres

Em entrevista coletiva em Los Angeles, a atriz que interpreta Eunice Paiva também falou que o filme ‘virou um movimento pátrio’

EDUARDO BARÃO

04/03/2025 • 07:56 • Atualizado em 04/03/2025 • 07:56

A atriz Fernanda Torres relevou, nesta segunda-feira (3), em entrevista coletiva em Los Angeles, que a equipe de “Ainda Estou Aqui” tinha receio do filme brasileiro sair da cerimônia do Oscar sem estatueta.

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“Tínhamos muito medo de não levar o Oscar para casa. Ficava um empurrando para o outro”, declarou Fernanda Torres. “O Walter dizia: você é que tem chance. E eu dizia: não, Walter, você é que vai subir ali, estou empurrando para você essa responsabilidade”, completou.

Durante a coletiva, a interprete de Eunice Paiva em “Ainda Estou Aqui” também falou sobre como ficou impressionada com a celebração no Brasil com a vitória do filme no Oscar.

“O Brasil está uma loucura. Não sei o que aconteceu que esse filme virou um movimento pátrio. O Brasil abraçou esse filme! Nós ficamos muito impressionados com o poder que isso foi criando, que isso foi representando”, declarou Fernanda.

O desafio de interpretar Rubens Paiva

Na mesma coletiva, o ator Selton Mello, que interpreta Rubens Paiva no longa, afirmou que fazer o papel do deputado “foi uma honra”.

“Fazer o Rubens (Paiva) foi uma honra e tanto. Meu deus, é um homem que foi levado de casa e assassinado pelo Estado. Eu dei corpo a esse homem. Eu trouxe ele para viver de novo”, disse Selton Mello.

Walter Salles preparou discurso, mas não leu

Depois que o filme "Ainda Estou Aqui" ganhou o Oscar de Melhor Filme Internacional, Walter Salles fez um discurso emocionante, onde citou Eunice Paiva, Fernanda Montenegro e Fernanda Torres. Porém, ele disse que perdeu o papel que continha um discurso mais político.

“Ele reforça a trajetória de Eunice. Fala da importância da resistência, fala do quanto nos ensinou, na verdade, a lutar sem perder essa capacidade de sorrir”, contou o diretor de “Ainda Estou Aqui”.

Na coletiva, Walter Salles compartilhou qual seria o discurso no Oscar, leia abaixo:

"Obrigado, em nome do Cinema Brasileiro. Agradeço à Academia por reconhecer a história de uma mulher que, diante de uma tragédia causada por uma ditadura militar, optou por resistir para proteger sua família. Em um tempo em que tais regimes estão se tornando cada vez menos abstratos, dedico esse prêmio a Eunice Paiva e a todas as mães que, diante de tamanha adversidade, têm a coragem de resistir. Que nos ensinam a lutar sem perder a capacidade de sorrir, mesmo quando elas se sentem frágeis. Este prêmio também pertence a duas mulheres extraordinárias, Fernanda Torres e Fernanda Montenegro. Elas não apenas elevaram nosso filme, mas representam o fato de que a arte resistiu no Brasil. Governos autoritários surgem e desaparecem no esgoto da história. E livros, canções e filmes ficam conosco... Obrigado a todos, em nome o cinema brasileiro e latino-americano!! Viva a Democracia, Ditadura Nunca Mais"