As obras da tirolesa que vai ligar o Pão de Açúcar ao Morro da Urca, no Rio de Janeiro, serão retomadas até o fim de março deste ano. O Parque Bondinho Pão de Açúcar informou que obteve a autorização final para a construção do equipamento, que terá cerca de 800 metros de extensão. O projeto, que prevê velocidade de até 100 quilômetros por hora em um trajeto paralelo ao dos tradicionais bondinhos, gerou controvérsia desde o seu anúncio original.
A construção estava paralisada desde 2022 por determinação da Justiça, após contestações de ambientalistas e do Ministério Público Federal (MPF). As autoridades alegavam riscos ao patrimônio da Unesco, uma vez que o cenário faz parte de uma paisagem mundialmente protegida. Segundo o MPF, houve um corte na pedra do morro que não estava previsto nas licenças iniciais concedidas pelos órgãos competentes.
Retomada e ajustes técnicos
A mudança no cenário jurídico ocorreu em junho do ano passado, quando o Superior Tribunal de Justiça (STJ) autorizou a continuidade das intervenções. A decisão estabeleceu que a construção poderia seguir, desde que fossem realizados ajustes técnicos no projeto original. O Parque Bondinho Pão de Açúcar afirma que renovou todas as licenças exigidas e que o cronograma para este primeiro trimestre está confirmado.
Em nota, a administração do parque reforçou que a nova etapa de implantação ocorre em conformidade com exigências legais, ambientais, geológicas e de segurança. O grupo destaca ainda que todo o processo é conduzido de forma planejada, responsável e transparente.
Moradores mantêm ressalvas
Apesar das autorizações, a Associação de Moradores da Urca mantém críticas ao projeto. O presidente da entidade, Aurimar Prazeres, afirma que a comunidade não recebeu comunicados oficiais sobre a volta das atividades e questiona a integridade da intervenção. "É ilegal, porque tiraram rochas. Estão destruindo um lugar lindo, sem falar da concessão do espaço", declara Prazeres.
Procurado para comentar a retomada das obras, o Ministério Público Federal informou que não adianta possíveis manifestações processuais sobre o caso. O cenário na Urca permanece sob monitoramento das entidades de preservação histórica e ambiental.
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