
Boate Kiss
Fernando Frazão/Agência Brasil
A cidade de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, relembrou nesta terça-feira (27) os 13 anos da tragédia da Boate Kiss, incêndio que vitimou 242 pessoas em 2013. As homenagens, marcadas pela emoção e pelo pedido de justiça, reuniram sobreviventes, amigos e familiares no local onde funcionava o estabelecimento, no centro do município.
Durante a noite de segunda-feira, véspera do aniversário do incêndio, vigílias foram realizadas com velas, flores e cartazes. O asfalto em frente à antiga boate foi preenchido com desenhos que representavam as vidas perdidas. Para os sobreviventes, como Delvani Rosso, o momento é de gratidão pela vida, mas também de reflexão sobre a recorrência de tragédias evitáveis.
"Sinto gratidão por estar aqui com os pais e também por honrar os meus amigos que ficaram. Parece que sempre a ganância ou a falta de consciência faz com que aconteça de novo", desabafou Rosso.
Condenados cumprem penas em regimes mais brandos
Enquanto a cidade presta homenagens, o cenário jurídico da tragédia gera indignação entre as famílias das vítimas. Atualmente, os quatro réus condenados pelo incêndio cumprem penas significativamente reduzidas. Em agosto do ano passado, as sentenças originais, que chegavam a 22 anos de prisão, foram reduzidas pela metade sob a justificativa de "bom comportamento".
Com a revisão das penas, os responsáveis progrediram para os regimes aberto e semiaberto. Elissandro Spohr, conhecido como Kiko e ex-sócio da Boate Kiss, deixou a prisão em dezembro do ano passado e cumpre regime aberto com o uso de tornozeleira eletrônica.
O outro ex-sócio, Mauro Hoffmann, também está no regime semiaberto. Marcelo de Jesus dos Santos, integrante da banda Gurizada Fandangueira que acendeu o artefato pirotécnico, e Luciano Bonilha Leão, que comprou o material, também progrediram de regime e utilizam monitoramento eletrônico.
Famílias esperam reversão judicial até 2027
A Associação dos Familiares de Vítimas e Sobreviventes de Santa Maria (AVTSM) tenta reverter as decisões que abrandaram as punições. Segundo Flávio Silva, presidente da associação e pai de uma das vítimas, a expectativa era de que o processo chegasse ao fim este ano, mas os recursos devem prolongar a disputa judicial.
"A gente tinha convicção de que este ano chegaríamos ao trânsito em julgado desse processo penal. Essa redução das penas fez com que tivéssemos que ingressar com recursos nos tribunais superiores", explicou Silva.
De acordo com as projeções jurídicas da associação, o processo penal deve se arrastar até meados de 2027. O objetivo dos familiares é que as instâncias superiores restabeleçam as penas originais e garantam que os condenados cumpram o tempo de prisão inicialmente determinado pelo Tribunal do Júri.
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