Jornal da Noite

Vandalismo contra estátuas gera prejuízo de R$ 100 mil ao Rio de Janeiro

Rio reforça segurança com câmeras após seguidos ataques a monumentos históricos; dez peças já foram destruídas ou furtadas apenas este ano

LAILA HALLACK

14/04/2026 • 23:41 • Atualizado em 14/04/2026 • 23:41

Vandalismo contra estátuas gera prejuízo de R$ 100 mil ao Rio de Janeiro

Vandalismo contra estátuas gera prejuízo de R$ 100 mil ao Rio de Janeiro

Reprodução/Agência Brasil

A preservação da história e da cultura no Rio de Janeiro enfrenta um desafio recorrente: a ação de vândalos contra o patrimônio público. Neste último final de semana, a estátua do cantor Cazuza, localizada no Leblon, voltou a ser alvo de criminosos, que furtaram os óculos de bronze do monumento. O episódio não é isolado; apenas nos primeiros meses de 2024, a prefeitura carioca já contabiliza pelo menos dez monumentos que foram destruídos ou tiveram peças levadas.

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A recorrência dos ataques tem gerado indignação entre moradores e turistas que frequentam os pontos icônicos da cidade. Para a advogada Patrícia Moraes, a situação no Leblon é emblemática. "Uma cidade linda homenageando o Cazuza e acontecer esse tipo de vandalismo é triste", lamenta. O sentimento de perda é compartilhado por quem vê nos monumentos uma conexão emocional com ídolos nacionais, como o entregador Igor Vasconcelos, que ressalta a importância de preservar a imagem do cantor.

Gastos públicos e a luta pela conservação

O impacto da depredação vai além do valor simbólico, atingindo diretamente os cofres públicos. Segundo dados da Secretaria Municipal de Conservação, a prefeitura já gastou quase R$ 100 mil na recuperação de obras vandalizadas somente no início deste ano. O secretário Diego Vaz destaca que o montante representa um prejuízo contínuo para o erário e reforça a necessidade de conscientização sobre o respeito ao patrimônio.

Outro alvo frequente é a estátua de Carlos Drummond de Andrade, instalada no calçadão de Copacabana. Recentemente depredada, a obra já foi recuperada e segue como um dos pontos mais fotografados do mundo. Fernando Motta, vendedor autônomo, celebra a restauração: "As pessoas tentam destruí-las, mas a gente conserta, porque queremos continuar preservando a história". Contudo, a gerente de projetos Ellen Matos alerta que ver um monumento quebrado rompe a experiência da memória e do registro histórico.

Monitoramento e impunidade

Diante da frequência dos crimes, a prefeitura passou a adotar medidas drásticas, como a instalação de câmeras de segurança exclusivas para monitorar os monumentos mais visados. No entanto, o monitoramento eletrônico nem sempre resulta em prisões. Embora as imagens ajudem a identificar os autores, como ocorreu em flagrantes recentes de depredação do monumento ao sociólogo Betinho, a punição efetiva ainda é rara.

Vandalizar o patrimônio público é crime previsto em lei, com pena que pode chegar a três anos de detenção. Nos calçadões do Rio, a memória constantemente "tropeça" no vandalismo, transformando a manutenção da cultura em uma batalha diária contra a destruição. Enquanto os reparos são feitos, as autoridades buscam novas estratégias para evitar que o futuro insista em repetir o passado de abandono e degradação das homenagens aos grandes nomes do país.